Sonho, utopia, realidade. As colônias espirituais em destaque

RESENHA

Crer por crer é desperdício. Não crer por não crer é estultice. Mas crer por saber é inteligente. Quando surgiu a primeira edição do livro Nosso lar, psicografia do Chico Xavier e autoria de André Luiz, fez-se um grande alvoroço no Brasil. A crítica marcou a obra como pura ficção, os leitores simples tomaram-se de encanto com a possibilidade de viver depois da morte em condições assemelhadas à vida na Terra, mas muitas lideranças espíritas se surpreenderam com as revelações e não tiveram receio de rejeitá-la, tendo por argumento principal a falta de informações na obra básica da codificação empreendida por Allan Kardec. As mais prudentes preferiram colocar o livro de molho e aguardar maiores confirmações.

O fato é que antes mesmo de Kardec o assunto entrou nas cogitações a partir de inúmeras obras apresentadas por médiuns de diversos matizes. Com Kardec, o assunto ganhou foros de possibilidade dadas ainda as pequenas, mas consistentes abordagens que ofereciam uma base lógica dessa realidade, acrescida de exemplos.

Após Kardec, lideranças representativas dos verdadeiros e dedicados estudiosos se reproduziram, convictas de que a vida no mundo espiritual não se dá simplesmente sobre a matéria fluídica imponderável, senão sob uma consistente base de solidez e planejamento, construção e organização social, de maneira que, se não possui as mesmas condições da vida material que o planeta Terra conhece, tem semelhanças com esta que, em certos casos, mais parecem ser uma extensão da vida material terrena. A informação, contudo, mais forte nos conduz a ver pelo lado contrário, ou seja, é a vida na Terra que se assemelha à espiritual, embora a semelhança seja, segundo dizem os espíritos, ainda bastante nebulosa.Nos dias que correm há quem trate de descaracterizar a existência dessas colônias, cidades, sítios, localidades além do mundo visível, alguns, dentre estes, se colocando no plano da discussão de forma extrema, sem temor de afirmar com absoluta convicção que tudo não passa de um sonho ou utopia, de realização de desejos do inconsciente o acreditar na existência desse mundo palpável, aí incluindo alguns até mesmo as regiões ditas sombrias denominadas umbralinas. O convencimento dessa real vida na espiritualidade, afirmam, deve ser oferecido através de provas e evidências de que existem, condições estas que Kardec não teria oferecido e sequer trata com objetividade. Por tanto, para estes, as colônias espirituais simplesmente não existem.

Para tratar com propriedade desse assunto e, com notável clareza, deixar a questão assentada de forma irretorquível na direção da realidade que são essas construções apropriadas à vida em sociedade no mundo invisível, o estudioso e bom pesquisador Paulo Neto produziu e lançou em 2015 o livro As colônias espirituais e a codificação, no qual, embora tenha por foco o estudo daquilo que Kardec produziu a partir de suas relações com os espíritos, além de suas análises sólidas, também trabalha sobre um amplo material oferecido por diversas fontes, na linha do controle universal dos ensinamentos dos espíritos, todas as fontes convergindo para o crer por saber em relação à verdade das colônias espirituais. Trata-se de um livro que não deve faltar na estante dos estudiosos e dedicados pesquisadores do espiritismo.

A certa altura do seu livro, Paulo Neto faz a seguinte afirmação: “[…] o que temos visto é confrades querendo impor suas opiniões ou achando-as ser as únicas que devem prevalecer, sem se darem conta de que também as opiniões deles é individual, que além de não terem força de lei, podem ser justas ou não”. A consistente bibliografia do autor dá-lhe suporte para um posicionamento dessa ordem.

Livro: As colônias espirituais e a codificação

Formato: 16 x 23 cm, capa a cores

271 páginas

Ethos Editora, Divinópolis, MG

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