Sérgio, o impostor

A Amazon acaba de colocar à disposição dos seus clientes o meu novo livro Sérgio, o impostor, com o subtítulo: Morte, vida, espiritismo, sonhos e outras imposturas. 

Aqui está um extrato de uma das crônicas que o livro apresenta:

“Sérgio mora em São Paulo, mas o vejo sempre pelo Skype. Ontem, achei-o um pouco desenxabido, daquele tipo que fica olhando para o lado como quem quer fugir de uma conversa mais franca. Interessante, o virtual já se misturou com o real de tal maneira que as pessoas estão repetindo na imagem o comportamento que expressam no face-a-face e o virtual está tão high definition que se torna quase natural perceber essa nova realidade. Sem me conter, indaguei: – O que há contigo? Desculpou-se três vezes, antes de abrir-se. Estava decepcionado, pois acredita na mudança, na necessidade da mudança, no dever da mudança, no movimento que implica mudança já…”

Na apresentação, você pode, também, ler:

“Este é um livro de páginas soltas e temas soltos, porém, todos amarrados por um laço comum: o espiritismo. Devido à minha atividade como professor de Teoria da Imagem, descobri dois filmes surpreendentes e os comento. São eles: Uma simples formalidade e Adorável Júlia. Leia os textos e, se possível, assista aos filmes. Garanto que não se arrependerá.”

A opção pelo eBook se dá em virtude das dificuldades atuais para a produção e lançamento de livros físicos, ainda preferidos pelos leitores de diversas idades e latitudes. A situação econômica tem atingido o mercado editorial geral e o espírita, em particular.

Se as dificuldades que ainda existem para muitos com a leitura digital, dificuldades essas em boa medida de fundo cultural – dados estatísticos dão conta de alcançar 30% aproximadamente dos consumidores de países desenvolvidos – o formato apresenta um aspecto importante que é oferecer o livro a custos bem mais acessíveis que os livros físicos.

Em nosso caso, que não visamos lucro nem sequer ganhar dinheiro com nossas obras, o valor é quase simbólico: apenas R$ 7,70 o exemplar e para os assinantes do Kindle a leitura é livre, sem ônus. Não tenho nenhuma ojeriza ao dinheiro, pelo contrário, considero-o necessário à sobrevivência e às conquistas dos projetos de vida, pois vivemos num sistema em que ele, o dinheiro, se coloca na base da Justiça Social.

Mantendo os livros com a dispensa de direitos autorais, destinados aqui e ali a obras sociais, fico em paz com meus ideais espíritas, uma vez que estou convicto desde muito cedo, especialmente após abraçar o espiritismo, que nunca estou sozinho na escritura dos livros e posso afirmar, sem receios, que nenhum dos livros que até aqui escrevi deixou de ter a presença dos amigos espirituais, sem os quais nesta existência pouco ou nada faria. Não os podendo nomear, pelo anonimato em que eles se colocam, homenageio-os destinando os direitos autorais a obras que muito aprecio, realizadas por amigos dedicados à causa social.

Os leitores interessados neste novo livro, pequeno e singelo, podem acessar o site da Amazon clicando na foto da capa. Abraço a todos.

O discurso no filme: Kardec, a história por trás do nome

Quem for assistir o bom filme Kardec no circuito nacional poderá dizer que o discurso final já está antecipado pelo título? Não! O filme não é um discurso de Allan Kardec sobre Allan Kardec, mas um texto assentado sobre três fases de um discurso que só fica pronto quando o filme é finalizado. A saber: temos um discurso inicial elaborado no roteiro, que será transformado em imagens sob a condução de um diretor a partir da interpretação dos atores, com seus planos e subplanos, para finalmente alcançar o discurso verdadeiro com a montagem. Então, é preciso assistir ao filme para conhecer o discurso, o sentido deste em suas propostas de significação. É aí que entra o espectador, como destinatário e construtor dos sentidos.

Assisti ao pré-lançamento do filme, mas antes de ir à sua análise desejo informar que tem sido longo e doloroso o esforço dos espíritas em mostrar a doutrina através da sétima arte. Vimos diversos filmes feitos e lançados em circuito nacional que, apesar da boa vontade, são péssimos no quesito qualidade. A par disso, temos sido surpreendidos, de quando em quando, por produções comerciais, feitas no Exterior, de ótima qualidade, alguns destes filmes muitas vezes pouco conhecidos pelos espíritas, outros de baixa bilheteria, mas todos eles se colocando como ótimas contribuições à comunicação dos princípios básicos da doutrina. (mais…)

Père-Lachaise: lá onde Kardec jamais esteve

Allan Kardec, filho do seu tempo enquanto reencarnado, deixou escrito obras tão imortais quanto os espíritos que encontrou pelo caminho. Os diversos tradutores dessas obras para o português, cada um em seu tempo, procuraram as melhores relações gramaticais para as verter do francês do século XIX à língua de Camões. Ninguém, talvez, como Herculano Pires, portador que era de uma bem-sucedida experiência com o texto jornalístico, conseguiu uma tradução de Kardec com sucesso impondo a técnica da narrativa dos fatos: concisão, clareza e objetividade.

O fato é que boa parte dos indivíduos contemporâneos, ao ler Kardec, reclama das dificuldades que um texto com tais vínculos linguísticos impõe aos sentidos, mas também à paciência. Já muitos são críticos da forma, pois o Livro dos Espíritos, particularmente, está vazado em perguntas e respostas, em contraste com as narrativas literárias dos bons autores, muito mais envolventes.

Assim é e assim permanecerá.

Também filho de sua época e submetido aos laços sociais e profissionais dos círculos em que se situa, Antonio Cezar Lima da Fonseca em seu livro recém lançado Encontrando Allan Kardec, revela que em determinada ocasião incomodou-se com esses livros espíritas de leitura difícil, desejando vencer essa etapa com a presente escritura. Logra sucesso? Em parte, porque Buffon continua (mais…)

Herculano Pires, o ícone ainda desafia os estudiosos da boa doutrina


40 ANOS DEPOIS


Herculano Pires: sua biografia está traçada por linhas expressivas saídas da pena rigorosa do inseparável amigo Jorge Rizzini

“Enganam-se os que pensam na morte como morte”. J.H.P.

 

O cemitério São Paulo estava repleto naquela tarde de 9 de março de 1979. Familiares, amigos, admiradores, curiosos e autoridades do meio espírita e da sociedade assinavam com sua presença o livro da despedida, do até breve. O sol banhava de luz amarelo-claro os túmulos, já desenhando a sua parábola descendente, como a dizer que também se encerraria no túmulo da noite. O corpo de Herculano, então com quase 65 anos de vida, estava colocado sobre a lápide, também pronto a encerrar seu ciclo, mas, assim como o sol renasceria na manhã seguinte, também Herculano retornaria para mais uma vez dizer que não só a morte é um engano, como também vivos são igualmente os que dizem os daqui estarem mortos.

No lento processo de construção do destino, Herculano Pires jovem ainda impressionou não só o mundo dos que o rodeavam, mas intelectuais distantes, de capitais onde a intelectualidade se destacava, com suas produções iniciais, em prosa e verso. Pelos vinte anos, o jornalista que já agia movimentando prensas e penas, viu-se frente aos primeiros contatos mediúnicos (mais…)

Espiritismo para surdos e mudos e outros tipos de deficiências

Li a interessantíssima entrevista publicada no jornal Correio Fraterno feita com a professora Eliane Alves de Carvalho Costa, sobre a inclusão de deficientes auditivos nas casas espíritas. Como o assunto me interessa e, também, se faz importante trago aqui o meu depoimento a respeito do assunto.

Talvez, o primeiro caso de deficientes que me tenha despertado a atenção ocorreu quando do meu ingresso no Ensino Superior. Havia um aluno cego e, por coincidência, passou a sentar-se ao meu lado. Detinha o domínio do Braile, língua, como se sabe, criada especialmente para os deficientes visuais. Isso facilitava muito sua vida, pois podia ouvir e transcrever as aulas, de maneira a estudá-las melhor em casa.

Conversávamos bastante e isso é um fator interessante, pois durante as aulas estava ele sempre atento ao que era dito pelo professor, mas fora desses momentos gostava de uma prosa e, inclusive, de tirar dúvidas sobre o que tinha ouvido. Era calmo, seguro de si, falava mansamente e estava sempre com um sorriso no rosto. Um ano após, seguiu ele para outro destino, de maneira que não nos vimos mais.

Anos mais tarde, vindo eu a exercer a docência no ensino superior, deparei-me pela primeira (mais…)

Período do livre pensamento. Estamos nele?

O caro amigo Milton Medran, do jornal Opinião Espírita, na edição presente, janeiro/fevereiro de 2019 sugere/propõe que a atual fase do espiritismo seja reconhecida como o período do livre pensamento. Argumenta, com propriedade, que Kardec havia apontado seis períodos para a doutrina, nomeando os quatro primeiros e o sexto, mas deixando ao quinto, que seria o atual na visão do Milton, em aberto sua denominação. Ao quarto período, Kardec denominou religioso e para o quinto propõe Milton seja denominado período do livre pensamento.

A conclusão do Milton é interessante e desperta reflexões diversas, uma delas podendo ser analisada no seguinte questionamento: temos, de fato, um período religioso em andamento ou alcançando seu final? E quais seriam os sinais a sustentar que um novo período, o quinto, estaria marcado pelo livre pensamento?

Em primeiro lugar, a demarcação por períodos do andamento da doutrina espírita, que Kardec de fato fez, é sempre um exercício muito complexo, seja para ele, em seu tempo, seja para qualquer outro em qualquer tempo. Qual era a motivação de Kardec quando estabeleceu aqueles períodos? Suas reflexões a respeito indicam um esforço de compreensão dos fatos e o tempo deles, com vistas a enfrentar o momento por que passava e preparar-se para o futuro. Naquele instante, Kardec enfrentava uma tempestade de granito formada pelos contestadores da doutrina espírita. Tinha, pois, razão para denominar aquele o período de lutas para sustentação da obra em curso. Neste pé, ficava mais tranquilo entender que o seu marco inicial estava no aparecimento do fenômeno mediúnico em largas proporções (mais…)

Manifesto é mais uma ação por um espiritismo sem donos e sem danos

Lançado com assinaturas individuais e institucionais, é ele mais um brado contra o religiosismo, o poder hegemônico, a negação da diversidade e as práticas absurdas.

 

Sob a coordenação da Associação Brasileira de Pedagogia Espírita (ABPE), mais de 150 espíritas e instituições assinam o documento – Manifesto por um espiritismo kardecista livre – que promove um espiritismo de livres-pensadores capitaneado por Allan Kardec. O conteúdo desse manifesto deixa claro sua oposição a uma série de pensamentos de instituições e lideranças que se distanciam e distorcem a doutrina espírita ou fazem dela uma escada para a promoção de vaidades e personalismos, como também de práticas que atentam contra o bom senso destacado pelo fundador.

Nesse instante de avassaladoras atitudes populistas nos meios doutrinários, com congressos de voz única dominante, eventos exploratórios da credibilidade pública e assentados em arrecadações financeiras, exaltação do nome de Jesus como bandeira, sufocamento da razão kardecista, abusos das crenças ingênuas, tentativas de restabelecimento de textos ultrapassados e autoritários em sua essência, distanciamento do conhecimento como suporte do progresso e tantos outros sinais de engessamento doutrinário, o documento representa uma postura digna e necessária. (mais…)

Projeto Cartas de Kardec capta 28% do objetivo proposto

Mas aqueles que desejarem contribuir poderão fazê-lo diretamente à FEAL.

O projeto Cartas de Kardec é de grande importância para o espiritismo hoje e no futuro. O presente é uma história de lutas para entregar à humanidade um acervo de conhecimentos sobre a espiritualidade. O futuro constitui um acréscimo extraordinário a esse acervo: cerca de 740 manuscritos completamente inéditos, que estão sendo recuperados, preservados e serão, a seguir, tornados públicos e acessíveis a todos os interessados.

Todo esse processo, juntamente com a imensa biblioteca de Canuto de Abreu, está em andamento sob a responsabilidade da Fundação Espírita André Luiz e do seu Centro de Documentação e Obras Raras. Todo esse trabalho tem um custo grande. O apoio dos espíritas é fundamental para colocar todo o material em condições de preservação e acesso de todos.

O prazo de participação e contribuição com o projeto encerrou-se ontem, 1o. de janeiro de 2019, captando cerca de 28% do esperado, ou pouco mais de R$ 140.000,00 (em números não oficiais), conforme exposto no endereço do sitio: 

www.catarse.me/cartasdekardec?

O esforço empreendido por uma equipe dedicada para alcançar a meta de preservar e publicar todo o acervo de correspondências inéditas de Kardec prossegue. Mesmo que o projeto de captação de recursos financeiros tenha terminado, quaisquer apoios nesse sentido serão muito bem-vindos e podem ser feitos diretamente à

Fundação  Espírita André Luiz (FEAL),

esclarecendo que a doação se destina ao projeto Kartas de Kardec.

O humano, o sagrado e as verdades da experiência mediúnica

 

Diante de fatos condenáveis relatados na imprensa, envolvendo médiuns, muitos perguntam por que os bons espíritos permitem que tais coisas ocorram e alguns vão além e questionam se esses bons espíritos, inclusive os mentores, participam dessa trama horrível.

 

Estudos sobre a mediunidade, desde Kardec, não só desvelam o quadro da sua integração com a natureza, mas, também, o desafio colocado ao ser humano ao lidar com o fenômeno mediúnico.

Ninguém pode fugir da realidade mediúnica que existe na natureza humana. A mediunidade está no ser terreno assim como estão os sentidos físicos e, como estes, aperfeiçoa-se ao longo da experiência milenar da civilização. Os sentidos físicos ligam o corpo material à terra e a mediunidade coloca a alma na relação comunicativa com os espíritos, relação permanente e cotidiana, mas ainda incompreendida pela maioria.

Quando a mediunidade assume a condição de mediunato, como interpretou Herculano Pires, ela se constitui ferramenta de experiência específica, dando ao seu portador condições para subir um degrau acima na escada de Jacó em que todos seres humanos se encontram. Trata-se de um compromisso reencarnatório para trabalhar em prol do bem de todos. Quem assim renasce logo será denominado médium, diferenciando-se dos demais seres humanos não por possuir poderes especiais e privilégios, mas por conta de um compromisso livremente assumido e válido para a vida atual.

A diferença entre os médiuns e os demais seres humanos está em que estes também possuem mediunidade, mas em grau diferente, suficiente, apenas, para a relação com os seres invisíveis, os espíritos ditos desencarnados, no nível de uma comunicação pelo pensamento. Explicando: há um diálogo permanente entre encarnados e desencarnados, com trocas de ideias, sugestões, solicitações, conselhos, etc., assim como ocorre com os encarnados entre si. A diferença está no fato dos encarnados, (mais…)

O mercado editorial espírita comporta o idealismo doutrinário?

 

(Publicado por Kardec.com, ed. 12/2018)

 

Feira do livro espírita no Riopreto Shopping em março de 2018.

A pergunta foi feita ao jornalista e escritor Wilson Garcia, que conhece como ninguém os aspectos do mercado editorial. Os desdobramentos da questão serviram de estudo feito pelo competente pesquisador Ivan Renê Franzolim (São Paulo, SP). Segundo Garcia, autores, editores, distribuidores e livrarias espíritas estão “no olho do furacão capitalista e a sobrevivência do ideal da difusão do Espiritismo pelo livro parece comprometida pela dura imposição do lucro sem medidas”. Leia a entrevista e tire as suas conclusões. Depois acesse o blog de Franzolim para ver o resultado de sua pesquisa.

 

Ivan – O que é ou deveria ser uma Editora Espírita?

WG. Os tempos mudaram e muito. No campo editorial espírita, essas mudanças foram colossais, não só em termos de mentalidade como, também, em termos tecnológicos. Nas décadas de 1960 / 1970, uma editora espírita deveria ser aquela que fosse comandada por espíritas com amplo conhecimento doutrinário, capazes de escolher apenas obras que tivessem aderência plena ao espiritismo. Em parte, isso ocorria. Mas, em termos editoriais, os livros sofriam com capas feias, papel de miolo ruim e uma divulgação de alcance limitado. Só era encontrado nas poucas livrarias espíritas, com alguma exceção. Os títulos disponíveis nas estantes eram também reduzidos em número. Os editores espíritas dedicados se foram, o capitalismo ampliou seus braços e dominou a tudo, a área editorial espírita, inclusive. Com isso, a força da alta concentração em grupos econômicos mundiais passou a exercer seu domínio e as editoras espíritas não fugiram disso. Foram cooptadas pela realidade dura de uma economia que concentra o poder e mata aquelas empresas que não conseguem crescer segundo o padrão dominante. Assim, falar em editores espíritas hoje é quase uma heresia. O que temos são editoras com visão capitalista, norteadas pelo lucro, balizadas por pesquisas de mercado. Com isso, os livros passaram por um enquadramento no que tange ao gosto do público, capas belíssimas, papel de miolo ecológico, ampla atenção ao marketing, grande quantidade de títulos e pouca ou nenhuma preocupação com o conteúdo em termos doutrinários. Todo o poder de crítica (mais…)