Categoria: Artigos

Uma nova casa para o Lar. Com o seu apoio

Entre as obras sociais respeitáveis e de trabalho eficiente em prol de uma sociedade mais justa e fraterna, o Lar dirigido pelo amigo espírita Gezsler Carlos West e equipe, em Recife, Pernambuco, deve e precisa merecer o apoio de todos.

Gezsler em palestra no Instituto Gabriel Dellane, Recife.

A instituição faz um trabalho de amparo a crianças em situação de risco na cidade de Recife. Em convênio com o Juizado de Menores, que encaminha as crianças, o Lar Paulo de Tarso as recebe, cuida, promove a educação, assistência à saúde, apoio psicológico e toda uma ação com vistas a reintegrá-las à sociedade, seja colocando-as de volta à família, seja encontrando famílias dispostas à adoção.

Nestes anos todos, sem alarde e de modo muito discreto, inúmeros são os casos de crianças que para lá são enviadas, em situação de necessidades extremas. São recuperadas de lixões, de locais de consumo de drogas, largadas por pais que vivem em situações semelhantes, crianças que muitas vezes beiram à condição animal de vida.

A casa onde o Lar está instalado há já bons anos é um imóvel alugado, simples, localizado em bairro periférico da cidade. Diante das condições atuais e das necessidades futuras, o Lar precisa de apoio para enfrentar esse desafio, uma vez que sua sustentação é feita por um punhado de gente que se sensibiliza com a situação, mas cujo apoio tem servido quase sempre as o custeio das necessidades básicas.

Reproduzo, a seguir, o texto disponibilizado pelo amigo Gezsler e sua equipe, descrevendo o projeto para uma sede nova e própria e convido a todos a emprestarem seu apoio à causa, certos de que estarão destinando recursos para uma instituição séria, honesta e merecedora.

Campanha nova casa

O Lar Paulo de Tarso está dando um passo importante, necessário e desafiador: comprar uma casa. Nestes 28 anos de existência o Lar funcionou em imóveis alugados, que possuíam espaços físicos limitados, custos mensais adicionais e desgastantes mudanças de endereços. 

Em uma análise criteriosa e realista das nossas necessidades presentes e futuras, definiu-se pela compra de uma casa. (mais…)

A festa, o embate e a razão

No espiritismo, a autonomia prevalece sobre a heteronomia.

Como fica a doutrina espírita após a retirada, neste dia 10 de agosto de 2019, do artigo sobre as obras de J.-B. Roustaing, dos Estatutos da Federação Espírita Brasileira? 

Em 1904, quando a FEB realizou no Rio de Janeiro, então capital da República, o evento para comemorar os 100 anos do nascimento de Allan Kardec, a defesa da obra Os quatro evangelhos dentro daquela instituição já estava estabelecida e foi este o motivo para que a instituição tentasse, com êxito parcial, introduzir a aceitação de tal obra nas conclusões do evento. O objetivo, então, era colocar a doutrina de Roustaing como a indicada para os estudos “relativos à fé” no que diz respeito ao espiritismo, considerando-a como superior aos Evangelhos segundo o espiritismo.

Diz-se que o êxito foi parcial porque a reação contrária à obra de Roustaing impediu a aceitação simples da proposta, determinando-se que ficaria a critério dos espíritas utilizar ou não Os quatro evangelhos, permanecendo, pois, com o estudo de O Evangelho segundo o espiritismo. Reconheça-se, mesmo que o êxito tenha sido parcial, foi uma vitória para os líderes da FEB de então e um desastre de grandes proporções para a doutrina espírita. (mais…)

Justiça social não cobre em extensão o sentido de Caridade

Justiça social é uma construção moral e política baseada na igualdade de direitos e na solidariedade coletiva. Em termos de desenvolvimento, a justiça social é vista como o cruzamento entre o pilar econômico e o pilar social. (Wikipédia)

Fez-se recentemente uma conjectura sobre a presença de Kardec reencarnado nos dias atuais, admitindo-se que, neste caso, ele possivelmente daria preferência ao termo Justiça Social em detrimento ao termo Caridade. Assim, teríamos “fora da justiça social não há salvação” em lugar de “fora da caridade não há salvação”. Certamente, para que tal mudança ocorresse, teríamos de convir que também os Espíritos que assessoraram o codificador assim pensariam, de modo a ocorrer o que no século XIX aconteceu: a opção de Kardec pela definição do paradigma “fora da caridade não há salvação”. Mas tal decisão, hoje, não teria por motivação a oposição ao que pregava, então, a Igreja Católica, que afirmava “fora da Igreja não há salvação”, uma vez que as lutas contemporâneas já não mais se concentram com igual força nas religiões, mas, sim, nos conflitos sociais, que por si mesmos são conflitos políticos e econômicos, em que o espectro social assenta-se nos extremos da injustiça e afrontam violentamente, por isso, a individualidade humana nos seus direitos mais simples. (mais…)

Espiritismo para surdos e mudos e outros tipos de deficiências

Li a interessantíssima entrevista publicada no jornal Correio Fraterno feita com a professora Eliane Alves de Carvalho Costa, sobre a inclusão de deficientes auditivos nas casas espíritas. Como o assunto me interessa e, também, se faz importante trago aqui o meu depoimento a respeito do assunto.

Talvez, o primeiro caso de deficientes que me tenha despertado a atenção ocorreu quando do meu ingresso no Ensino Superior. Havia um aluno cego e, por coincidência, passou a sentar-se ao meu lado. Detinha o domínio do Braile, língua, como se sabe, criada especialmente para os deficientes visuais. Isso facilitava muito sua vida, pois podia ouvir e transcrever as aulas, de maneira a estudá-las melhor em casa.

Conversávamos bastante e isso é um fator interessante, pois durante as aulas estava ele sempre atento ao que era dito pelo professor, mas fora desses momentos gostava de uma prosa e, inclusive, de tirar dúvidas sobre o que tinha ouvido. Era calmo, seguro de si, falava mansamente e estava sempre com um sorriso no rosto. Um ano após, seguiu ele para outro destino, de maneira que não nos vimos mais.

Anos mais tarde, vindo eu a exercer a docência no ensino superior, deparei-me pela primeira (mais…)

Período do livre pensamento. Estamos nele?

O caro amigo Milton Medran, do jornal Opinião Espírita, na edição presente, janeiro/fevereiro de 2019 sugere/propõe que a atual fase do espiritismo seja reconhecida como o período do livre pensamento. Argumenta, com propriedade, que Kardec havia apontado seis períodos para a doutrina, nomeando os quatro primeiros e o sexto, mas deixando ao quinto, que seria o atual na visão do Milton, em aberto sua denominação. Ao quarto período, Kardec denominou religioso e para o quinto propõe Milton seja denominado período do livre pensamento.

A conclusão do Milton é interessante e desperta reflexões diversas, uma delas podendo ser analisada no seguinte questionamento: temos, de fato, um período religioso em andamento ou alcançando seu final? E quais seriam os sinais a sustentar que um novo período, o quinto, estaria marcado pelo livre pensamento?

Em primeiro lugar, a demarcação por períodos do andamento da doutrina espírita, que Kardec de fato fez, é sempre um exercício muito complexo, seja para ele, em seu tempo, seja para qualquer outro em qualquer tempo. Qual era a motivação de Kardec quando estabeleceu aqueles períodos? Suas reflexões a respeito indicam um esforço de compreensão dos fatos e o tempo deles, com vistas a enfrentar o momento por que passava e preparar-se para o futuro. Naquele instante, Kardec enfrentava uma tempestade de granito formada pelos contestadores da doutrina espírita. Tinha, pois, razão para denominar aquele o período de lutas para sustentação da obra em curso. Neste pé, ficava mais tranquilo entender que o seu marco inicial estava no aparecimento do fenômeno mediúnico em largas proporções (mais…)

Manifesto é mais uma ação por um espiritismo sem donos e sem danos

Lançado com assinaturas individuais e institucionais, é ele mais um brado contra o religiosismo, o poder hegemônico, a negação da diversidade e as práticas absurdas.

 

Sob a coordenação da Associação Brasileira de Pedagogia Espírita (ABPE), mais de 150 espíritas e instituições assinam o documento – Manifesto por um espiritismo kardecista livre – que promove um espiritismo de livres-pensadores capitaneado por Allan Kardec. O conteúdo desse manifesto deixa claro sua oposição a uma série de pensamentos de instituições e lideranças que se distanciam e distorcem a doutrina espírita ou fazem dela uma escada para a promoção de vaidades e personalismos, como também de práticas que atentam contra o bom senso destacado pelo fundador.

Nesse instante de avassaladoras atitudes populistas nos meios doutrinários, com congressos de voz única dominante, eventos exploratórios da credibilidade pública e assentados em arrecadações financeiras, exaltação do nome de Jesus como bandeira, sufocamento da razão kardecista, abusos das crenças ingênuas, tentativas de restabelecimento de textos ultrapassados e autoritários em sua essência, distanciamento do conhecimento como suporte do progresso e tantos outros sinais de engessamento doutrinário, o documento representa uma postura digna e necessária. (mais…)

O humano, o sagrado e as verdades da experiência mediúnica

 

Diante de fatos condenáveis relatados na imprensa, envolvendo médiuns, muitos perguntam por que os bons espíritos permitem que tais coisas ocorram e alguns vão além e questionam se esses bons espíritos, inclusive os mentores, participam dessa trama horrível.

 

Estudos sobre a mediunidade, desde Kardec, não só desvelam o quadro da sua integração com a natureza, mas, também, o desafio colocado ao ser humano ao lidar com o fenômeno mediúnico.

Ninguém pode fugir da realidade mediúnica que existe na natureza humana. A mediunidade está no ser terreno assim como estão os sentidos físicos e, como estes, aperfeiçoa-se ao longo da experiência milenar da civilização. Os sentidos físicos ligam o corpo material à terra e a mediunidade coloca a alma na relação comunicativa com os espíritos, relação permanente e cotidiana, mas ainda incompreendida pela maioria.

Quando a mediunidade assume a condição de mediunato, como interpretou Herculano Pires, ela se constitui ferramenta de experiência específica, dando ao seu portador condições para subir um degrau acima na escada de Jacó em que todos seres humanos se encontram. Trata-se de um compromisso reencarnatório para trabalhar em prol do bem de todos. Quem assim renasce logo será denominado médium, diferenciando-se dos demais seres humanos não por possuir poderes especiais e privilégios, mas por conta de um compromisso livremente assumido e válido para a vida atual.

A diferença entre os médiuns e os demais seres humanos está em que estes também possuem mediunidade, mas em grau diferente, suficiente, apenas, para a relação com os seres invisíveis, os espíritos ditos desencarnados, no nível de uma comunicação pelo pensamento. Explicando: há um diálogo permanente entre encarnados e desencarnados, com trocas de ideias, sugestões, solicitações, conselhos, etc., assim como ocorre com os encarnados entre si. A diferença está no fato dos encarnados, (mais…)

O mercado editorial espírita comporta o idealismo doutrinário?

 

(Publicado por Kardec.com, ed. 12/2018)

 

Feira do livro espírita no Riopreto Shopping em março de 2018.

A pergunta foi feita ao jornalista e escritor Wilson Garcia, que conhece como ninguém os aspectos do mercado editorial. Os desdobramentos da questão serviram de estudo feito pelo competente pesquisador Ivan Renê Franzolim (São Paulo, SP). Segundo Garcia, autores, editores, distribuidores e livrarias espíritas estão “no olho do furacão capitalista e a sobrevivência do ideal da difusão do Espiritismo pelo livro parece comprometida pela dura imposição do lucro sem medidas”. Leia a entrevista e tire as suas conclusões. Depois acesse o blog de Franzolim para ver o resultado de sua pesquisa.

 

Ivan – O que é ou deveria ser uma Editora Espírita?

WG. Os tempos mudaram e muito. No campo editorial espírita, essas mudanças foram colossais, não só em termos de mentalidade como, também, em termos tecnológicos. Nas décadas de 1960 / 1970, uma editora espírita deveria ser aquela que fosse comandada por espíritas com amplo conhecimento doutrinário, capazes de escolher apenas obras que tivessem aderência plena ao espiritismo. Em parte, isso ocorria. Mas, em termos editoriais, os livros sofriam com capas feias, papel de miolo ruim e uma divulgação de alcance limitado. Só era encontrado nas poucas livrarias espíritas, com alguma exceção. Os títulos disponíveis nas estantes eram também reduzidos em número. Os editores espíritas dedicados se foram, o capitalismo ampliou seus braços e dominou a tudo, a área editorial espírita, inclusive. Com isso, a força da alta concentração em grupos econômicos mundiais passou a exercer seu domínio e as editoras espíritas não fugiram disso. Foram cooptadas pela realidade dura de uma economia que concentra o poder e mata aquelas empresas que não conseguem crescer segundo o padrão dominante. Assim, falar em editores espíritas hoje é quase uma heresia. O que temos são editoras com visão capitalista, norteadas pelo lucro, balizadas por pesquisas de mercado. Com isso, os livros passaram por um enquadramento no que tange ao gosto do público, capas belíssimas, papel de miolo ecológico, ampla atenção ao marketing, grande quantidade de títulos e pouca ou nenhuma preocupação com o conteúdo em termos doutrinários. Todo o poder de crítica (mais…)

Um centro espírita atual, profilático e profético

 

Surgido em 1980 e, certamente, concluído antes dessa data, o texto de Herculano Pires se revela um discurso cada vez mais atual, o que lhe confere alguma coisa de profético ante uma realidade bastante triste.

 

Herculano Pires fala do presente e ao mesmo tempo aponta para o futuro.

O movimento espírita anda de lado, desviando-se da própria doutrina? Os fatos dizem que sim e Herculano Pires já no final da existência terrena registrava o seu inconformismo para com esse desvio. Logo na introdução do livro O centro espírita, publicado após sua partida, apresenta um verdadeiro desabafo ante a situação, cada vez mais presente, de um religiosismo dominante no movimento, com uma afirmação categórica: “o que fazemos, em todo este vasto continente espírita é um imenso esforço de igrejificar o Espiritismo”. Ou seja, estamos ouvindo Herculano falar para um público passivo antes de começar o ano 1980, há, portanto, quase 40 anos. De lá para cá, a religiosidade humana dos adeptos está perdendo cada vez mais para o religiosismo apoiado na bengala do misticismo.

Se o passado histórico do Espiritismo em terras brasílicas já registrava o conflito entre místicos e científicos ainda no final do século XIX, na década de 1970, última de Herculano, o caminho para o religiosismo parecia definitivo. Hoje, pode-se dizer que é irreversível. Há uma maioria religiosista e cega, pois não se vê como tal, antes comandada apenas pela Feb e algumas federativas e, agora, por todas elas. Não há uma sequer fora dessa linha igrejeira – ou que não contribua para ela. Salvam-se desse imenso fosso alguns movimentos e centros espíritas comandados por adeptos estudiosos e dedicados votados ao bom senso que preside as reflexões e a compreensão doutrinária.

O discurso de Herculano menciona os “espíritas rezadores”, aqueles que são eternos pedintes de ajuda dos céus. Hoje, há centros espíritas multiplicando as possibilidades dos seus frequentadores (mais…)

A Gênese, por Cosme Massi, e a pesquisa de Simoni Privato

 

Por Antonio Leite, NYC

 

Quando pela primeira vez ouvi a entrevista de Cosme Massi sobre a polêmica 5ª edição de A Gênese, de Allan Kardec – no momento em que escrevo estas linhas já a ouvi múltiplas vezes – duas coisas me intrigaram sobremaneira. Eu havia à época concluído a segunda leitura da obra da Simoni Privato Goidanich, “O Legado de Allan Kardec”. Não consegui aguardar a edição brasileira dela e fiz a primeira leitura em espanhol. Havia igualmente terminado a leitura da obra “Revolução Espírita” de autoria de Paulo Henrique de Figueiredo, a mais completa e extraordinária obra que já li no campo da pesquisa espírita. Ambas abordam temas pelos quais sempre tive o maior interesse.

 

De fato, em meus estudos de algumas décadas da Doutrina dos Espíritos, sempre com base nas obras de Allan Kardec, todas indistintamente, em especial as obras fundamentais e a Revista Espírita, o meu interesse não ficou preso tão somente ao aspecto doutrinário. Sempre tive igualmente um enorme interesse pelo estudo da história do movimento espírita desde o período de elaboração da ciência espírita e posterior, bem como igualmente o período da formação do movimento espírita em terras brasileiras. Desde cedo em meus estudos segui à risca a advertência do filósofo e escritor espírita J. Herculano Pires que nos orienta: “As obras de Kardec são a única fonte verdadeira do saber espírita. Quem não ler e estudar essas obras com humildade e vontade legítima de aprender, não conhece o Espiritismo.” (mais…)