Chico Xavier e o apocalipse moderno

A profecia da data-limite atribuída ao famoso médium sepulta o bom-senso que ornava a personalidade de Allan Kardec.

Há muito tempo que amigos querem me envolver nas previsões atribuídas a Chico Xavier sobre uma espécie de fim de mundo estabelecido para daqui a pouco. Perguntam-me constante e veementemente se aceito tais previsões e, com certo afoitismo, que revela o desejo de obter minha aprovação, saem a fazer palestras e seminários para disseminar a dita profecia, quando não reproduzem o texto numa ansiedade irracional. Na verdade, criam uma situação alarmante sob a aparência de um chamamento moral, imaginando que dessa forma ajudam a estabelecer uma consciência de transformação moral urgente como meio de salvar a Pátria do Evangelho e, por consequência, o mundo inteiro. O homem habita a Terra há milhões de anos e os sonhadores de plantão acham que podem dar um salto gigantesco, digno de uma olimpíada universal, em poucos anos. A contar de 1969 seriam 50 anos, mas como já estamos em 2017, não mais do que 2 anos. Por isso, grassa a ilusão do temor que amortece o bom-senso, colocando em seu lugar uma impossível chagada ao Olimpo espiritual nos primeiros lugares da corrida. Leia mais

Uma ideia sobre “Chico Xavier e o apocalipse moderno

  1. Parabéns Wilson pelo belo texto. Novamente você retorna em estilo para expor mais uma “encenação de mau gosto”. É por conta destas e outras deturpações infames que o Espiritismo vem sendo ridicularizado por décadas, e o que ó pior, pelos seus próprias adeptos.
    Assim agindo, você esta cumprindo à risca com a advertência do nosso querido e saudoso Professor J. Herculano Pires, que em “Curso Dinâmico de Espiritismo – O Grande Desconhecido, XX – Como Combater o Espiritismo”, nos asseverou:
    “Há várias correntes já formadas no meio espírita, contra as quais as pessoas sensatas precisam precaver-se. É claro que essas mistificações de homens fátuos e espíritos inconseqüentes serão varridas pela evolução, mas até que isso aconteça haverá tempo suficiente para que muitas criaturas ingênuas sejam envolvidas em processos obsessivos. Todo espírita consciente de suas responsabilidades humanas e doutrinárias está no dever intransferível de lutar contra essas ondas de poluição espiritual que pesam na atmosfera terrena. Ninguém tem o direito de cruzar os braços em nome de uma falsa tolerância que os levará à cumplicidade”
    Lí o referido artigo à época com um profundo sentimento de repulsa. Posteriormente li também a obra de Marlene Nobre, “Chico Xavier, Meus Pedaços do Espelho”, onde esperava que o assunto fosse ali tratado, já que o tom de advertência profética dado pela publicação dele na Folha Espírita de Maio de 2011, Ano XXXV – Nº 439, foi enorme e pomposo.
    É lamentável, porém aqueles que estudam a Doutrina dos Espíritos em sua origem, com humildade e respeito ao Codificador, lembram-se perfeitamente das inúmeras advertências do Mestre em relação aos assaques que por certo surgiriam no futuro de toda parte, contra a doutrina e seus mais fiéis seguidores.
    E aqui eu faço questão de abrir um parêntesis para enfatizar o quanto é importante que os nossos estudos doutrinários sejam também expandidos na direção do conhecimento mais aprofundado da história do movimento espírita em geral, e particularmente do Brasil. Para que possamos cumprir o “dever intransferível de lutar contra essas ondas de poluição espiritual” de que fala o dedicado “Apóstolo de Kardec”, este estudo se faz necessário para que estejamos aptos a separar o joio do trigo.
    Encenações, desvirtuamentos, deturpações e até fraudes tem ocorrido sim na seara do movimento. E aqui eu menciono apenas duas circunstâncias dignas de consideração.
    Em artigo de autoria do Professor J. Herculano Pires, o qual foi publicado na Revista Educação Espírita nº 7, cujo título é “A Educação Espírita e os 150 Anos da Independência”, onde ele aborda a questão da História Espiritual do Brasil, lemos o seguinte:
    “Nele, segundo graves denúncias feitas pelo General Araripe de Faria e pelos escritores Henrique de Andrade e Julio Abreu Filho, ouve uma adulteração do texto na edição da FEB, com a inclusão de uma referência a Roustaing inteiramente despropositada”.
    E por acaso os espíritas em geral não se lembram do triste episódio de adulteração de uma edição de O Evangelho Segundo o Espiritismo? Para quem ainda desconhece este capítulo indesejável da história do movimento espírita em nossa pátria, eu recomendo a leitura da obra “Na Hora do Testemunho”, de autoria de Francisco Cândido Xavier e J. Herculano Pires.
    O incidente também envolveu de uma forma inusitada o médium Chico Xavier, que humildemente assume sua parcela de responsabilidade. Ao convidar o Professor J. Herculano Pires para que em parceria registrassem as tramas do incidente no livro acima mencionado, ele assim se manifesta:
    “A sua veemência e sinceridade, na defesa da Obra de Allan Kardec, me fez pensar muito no cuidado que todos nós, os espíritas, devemos ter na preservação dos textos referidos, sob pena de criarmos dificuldades insuperáveis para nós mesmos, agora e no futuro. Meditando nisso, sou eu quem me sinto honrado em enviar-lhe estas publicações, no intuito de demonstrarmos em livro-documentário a elevação da sua defesa e o meu respeito no tocante à Codificação kardeciana, que nos cabe endereçar ao futuro tão autêntica quanto nos seja possível.”
    O Professor J. Herculano Pires ao reportar-se à carta-confissão do médium e aos autores da maquinação urdida, nos revela a postura destes no capítulo intitulado “A Trama da Adulteração”, dizendo:
    “Nenhum deles teve a humildade de confessar o seu erro, a sua invigilância, como Chico Xavier o faz nessa carta dolorosa. É natural que Chico pensasse numa reunião de cúpula para estudar o assunto. A posição das cúpulas, entretanto, evidenciou a ignorância das mesmas. Não fosse a reação das bases, a adulteração estaria hoje institucionalizada. E dentro em pouco não saberíamos mais o que Kardec escreveu, porque os escribas ingênuos, iluminados supostamente pelo Alto, prosseguiriam na deformação programada e confessa de toda a Codificação.”
    Podemos perfeitamente imaginar que neste caso não será diferente e o “disse que disse” se transformará em mais um capítulo espúrio a revelar conceitos que denigrem os mais comezinhos princípios da Doutrina dos Espíritos.
    Antonio Leite, NY.

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