Categoria: Imprensa

Modos de ver o espiritismo

Carlos Vereza, um desastre – No que transformaram a doutrina! – A reportagem da vida – Colônias espirituais: afinal, ¿existen? – O Sr. Marketing

É verdade que na linha do sofisma há muitos espiritismos, sendo que o espiritismo da codificação e o espiritismo do movimento espírita é o mais visível – alguns acadêmicos entendem que o espiritismo real é o que nasce das práticas, não importa o que ensinem os postulados doutrinários. Ao seu lado, vigora o espiritismo popular, que soma o espiritismo das práticas com o entendimento que dele fazem os seus praticantes, o qual se expressa hoje, muito fortemente, nas redes sociais.

A bem da verdade, há apenas um espiritismo: o que está exposto na filosofia organizada por Allan Kardec e com base nessa ideia muitas lideranças expressivas defendem, com razão, que o espiritismo popular resulta de um só fato: ausência ou conhecimento impreciso da filosofia espírita.

Mas não se pode remar contra a maré o tempo todo, haja vista para o fato da presença diuturna das manifestações populares sob o guarda-chuva do logotipo espiritismo. Digo logotipo para enfatizar que a sua presença, nesse caso, é mera condição “mercadológica”, mero signo utilizado para dar força de marca ao que se diz ou se expressa. Visa, pois, direcionar a produção de significados, como se o que se escreve ou se expressa fosse de fato decorrente do ensinamento espírita. (mais…)

Quem é a vítima?

Desconfio sempre desses artigos de opinião genéricos e ao mesmo tempo insinuantes, aos quais falta a coragem do homem de bem e a franqueza do homem justo. E o artigo assinado pelo Marco Milani publicado pelo Correio Fraterno (do ABC), edição no 477 de setembro/outubro de 2017 se insere na relação desses artigos. Confesso que não sei ao que ele veio, mas desconfio que se destina a alvos determinados, mas não colocados às claras. E isso é muito ruim.

Seja quem e o que seja que motivou o autor do artigo a escrever, o fato é que ao utilizar a técnica da generalidade Marco Milani se coloca na mesma condição da possível vítima. E como vítima, age sem a devida franqueza, incorrendo em faltas ainda mais graves. O medo de ser franco é sinônimo de falta de coragem, contrário ao sim, sim e ao não, não de Jesus. (mais…)

50 anos do Correio Fraterno (do ABC) – o que a história não conta

Entre o nepotismo e a exaltação da figura paterna foi deixada uma lacuna de muitos braços, mãos e cérebros que construíram a obra.

Logo criado em 1980 e utilizado até hoje. A ideia e a execução foram de um profissional da publicidade em São Paulo.

O Correio Fraterno (do ABC) publica em sua atual edição (no 477, setembro/outubro de 2017) reportagem-entrevista de capa assinada pela jornalista Eliana Haddad, com o título “50 anos de espiritismo do Correio Fraterno”. As entrevistas ocupam as páginas 4 e 5, e a reportagem está nas páginas centrais 8 e 9. São, portanto, quatro páginas do jornal tabloide ou ¼ de suas páginas destinadas a colocar para o leitor o resumo de uma história de 50 anos. Mas sua leitura deixa à mostra uma verdade: o resumo ao invés de revelar a história, esconde-a. Em primeiro lugar, cuida de exaltar a figura paterna e a da filha numa entrevista em que a obra perde lugar para apenas duas pessoas. Veja-se o seu título: “De pai para filha”. Um nepotismo clássico e uma ideia capitalista de sucessão como se o jornal e a editora fossem objeto de herança. Nepotismo porque os entrevistados não são apenas pai e filha; Izabel Vitusso é (mais…)

A voz que escancara e o silêncio que amordaça

O mais novo episódio envolvendo a Federação Espírita Brasileira é A Carta Aberta à FEB, comentada em publicação de 13 de junho último por Jorge Hessen e amigos, em que acusam a velha instituição de um novo pecado ético, ou seja, usar a Ética a seu modo para prosseguir nos ajustes institucionais que garantam a retomada pelos roustainguistas do comando da federativa. Os autores cobram explicações sobre assembleia realizada dias antes, quase na surdina, à socapa, para eleger os membros da Conselho Superior e promover mudanças estatutárias, sem obedecer a normalidade dos preceitos estabelecidos, com objetivos escusos como os de expurgar membros sem que eles próprios tomassem conhecimento senão após os atos da assembleia.

Estamos diante de um escândalo, mais um. Em situações como essa, costuma-se fechar em copas, estabelecer o silêncio com o fim de pôr uma pá de cal sobre o assunto, de deixar o tempo passar e o assunto cair no esquecimento. Mas também de escapar do dever de oferecer explicações convincentes para o ato.

O pensamento que está na base deste tipo de comportamento é mais ou menos assim: para atender os “desígnios superiores”, tudo é permitido, ou seja, por um bem maior todo mal menor será perdoado. É o velho chavão dos fins que justificam os meios.

A Feb deve explicações públicas para os atos públicos que toma, mas também para muitas coisas que decide e defende e que tocam nos destinos do movimento espírita. A Feb, contudo, como instituição do tipo autoritário, não vê necessidade de esclarecer sobre seus atos, talvez porque entende que deve explicações apenas aos espíritos que lhe “comunicaram” a missão de conduzir o rebanho.

Esclarecer e informar é sinal de fraqueza para aqueles que velam pelo trono de Ismael, que se dizem herdeiros de um mandato superior e colocam-se, dessa forma, acima dos juízos humanos. Tornaram-se, pois, sentinelas do templo e vivem preocupados com os possíveis usurpadores de uma luz que não é brilhante o bastante para clarear os subterrâneos da consciência.

Por seu turno, as Federativas estaduais, mesmo quando acuadas diante de situações semelhantes e sofrer visíveis prejuízos, preferem respeitar o silêncio obsequioso de sua líder, sob o falso entendimento de que qualquer ação mais incisiva na defesa de seus direitos vai gerar instabilidade e desunião. E pensar que a estabilidade existente se assenta sobre a ética que atende a ótica dos interesses particulares, mesquinhos, a gerar uma união de papel.

Em tempos de cobrança social pela transparência na administração pública, a Feb é o exemplo mais bem-acabado de uma opacidade estarrecedora enquanto instituição de um movimento cuja doutrina defende a ética da imortalidade. Talvez tenha razão Roustaing ao anunciar na sua obscura obra que a Igreja Católica retomará no futuro o comando dos destinos humanos, a julgar pelos apelos e pelas declarações dadas pelo seu principal mandatário, o Papa Francisco, incisivas, corajosas, capazes de fazer corar aqueles que são portadores de uma doutrina mais avançada e por isso deveriam encabeçar a lista dos homens comprometidos com o bem comum.

Espiritismo livre só para homens livres. O resto é mordaça.

A polêmica pureza doutrinária – um viés

A Dora Incontri me provoca questionando se não quero entrar na polêmica da pureza doutrinária, um fenômeno tão antigo quanto o trabalho de Kardec, basta ver as edições da Revista Espírita ainda ao tempo da direção do codificador. Mas tem ela passado ao longo do tempo por mudanças pontuais devido, especialmente, à cultura predominante em cada época, pois, como se sabe, o fenômeno cultural sofre um processo contínuo de mudanças, como é de sua natureza, e muda mais acentuadamente ao passo que as tecnologias e o conhecimento se modificam. Na era digital em que vivemos, as mudanças correm frenéticas, e com elas o modo como o pensamento se comporta. (mais…)

Tendência histórica da FEB de deturpação de livros produz novas vítimas

É de estarrecer. Federação Espírita Brasileira é denunciada agora por deturpar obras psicografadas por Chico Xavier e Waldo Vieira.

Alguém disse alhures que a tradução de Guillon Ribeiro, ex-presidente da FEB, para as obras de Roustaing é melhor do que o original. Ironia ou não, já as referidas obras sofreram acusações de mudanças e supressões por conta dos editores febianos. É dessa maneira que, historicamente, a instituição que dirige o movimento espírita brasileiro dito oficial é acusada por ações semelhantes, fato também ocorrido em outras ocasiões, como no caso do livro famoso Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho, no qual as deturpações se deram por conta da introdução de partes favoráveis a Roustaing, em especial. Coincidentemente, os originais da psicografia de Chico Xavier do referido livro jamais vieram a público, apesar de insistentemente solicitado por diversos críticos. (mais…)

A Verdade é a Luz

A segunda época da revista Verdade e Luz, hoje praticamente esquecida, ajuda a recuperar parte importante da história do Espiritismo e a corrigir enganos cometidos na biografia do extraordinário espírita conhecido por Batuíra.

O jornal Verdade e Luz, fundado em São Paulo no final do século XIX pelo português Antonio Gonçalves da Silva, apelidado de Batuíra, teve uma vida e uma história considerável, dividida em duas partes: a primeira época, em que a publicação começou como jornal e quase ao final desse período transformou-se em revista, e a segunda época, quando retornou à circulação após um período de interrupção, como revista de boa qualidade. É desta segunda época que vamos falar, uma vez que ela se encontra esquecida e não conta com registros capazes de serem compulsados pelos pesquisadores e historiadores.

Tenho em mãos 36 exemplares da revista Verdade e Luz, segunda época, correspondendo aos anos 1922, quando foi retomada depois de quatro anos sem circular, até 1926. Tudo indica que saiu do cenário ao final de 1926 e não mais retornou. Seu diretor, Pedro Lameira de Andrade, após esse ano, seguiu como presidente da Instituição Verdade e Luz até a data de sua desencarnação, ocorrida em 1937. Leia mais

A Metapsíquica de Canuto de Abreu

No período de maio de 1936 a janeiro de 1937 (datas estimadas, carecendo de comprovação definitiva) a Sociedade Metapsíquica de São Paulo publicou uma revista no formato 16 x 23 cm, em preto e branco tanto na capa como no miolo. A direção esteve a cargo do membro da Sociedade, Canuto de Abreu, hoje reconhecido por seus livros, pesquisas e, especialmente, pela posse de documentos valiosos sobre Allan Kardec obtidos diretamente na França pouco antes da eclosão da segunda guerra mundial, em Paris. Canuto era advogado e médico homeopata, além de formado em Farmácia.

Possuo quatro dos cinco números dessa revista, menos o exemplar de número 1. A publicação saía bimestralmente com material assinado por articulistas reconhecidos e foi nesta revista que Canuto de Abreu deu início a série de artigos sobre Bezerra de Menezes, que depois foi reunida em livro. Além de dirigir e escrever, Canuto de Abreu (mais…)

Sinapses, neurônios e arquivos da memória espírita

Ao comentar uma das funções das imagens, Jacques Aumont informa que elas provocam a abertura de arquivos da memória, fato que permite o seu reconhecimento através da identificação dos elementos que as imagens contêm pela comparação entre o que está registrado na memória e o que é apresentado pelas imagens. Trata-se de um fenômeno simples e ao mesmo tempo extraordinário porque complexo, que se realiza ao contato do observador com o objeto na rapidez com que os sentidos conduzem silenciosamente ao cérebro os estímulos, provocando a abertura dos arquivos da memória e devolvendo imediatamente à consciência os registros ali presentes, que permitem ao indivíduo realizar a identificação e o reconhecimento, não dos significados da imagem, mas dos seus elementos constituintes. (mais…)

Notas para notar

A semana começa com alguns destaques sobre os quais vale a pena refletir: 1) os jovens britânicos que não querem ter filhos e buscam o caminho da esterilização; 2) os brasileiros com doenças raras que, desenganados, enganaram a morte; 3) e a pesquisa tida como condenatória dos refrigerantes diet, mas que não é conclusiva.

Não aos filhos

Esterilização, esse é o caminho que tem sido escolhido por jovens britânicos que não desejam ter filhos. As razões são diversas vão desde a liberdade para atuar sexualmente sem preocupações até a existência de doenças hereditárias, cujos portadores não desejam passar adiante. (mais…)