Categoria: Artigos

Para os vaidosos o espiritismo é apenas o mote

 

Confesso que me constrange ver espíritas fazendo apologia de si mesmos. Retorno ao assunto pelo fato de leitores me solicitarem a opinião sobre casos e pessoas específicas.

 

Não cabe aqui ficar nomeando este ou aquele, nem mesmo neste tipo de situação. Basta o constrangimento que nos causam. E de mais a mais eles estão aí, na imprensa espírita e nas redes sociais, podendo ser facilmente identificados.

Parece que entre os danos morais que a vaidade ocasiona está uma notória desfaçatez e uma incapacidade absurda de não perceber o nível a que descem.

Lembra-me Augusto Veiga, um velho solteirão de minha terra natal. Tinha ele uma vida estável por conta de sua condição social familiar, mas precisava falar ao mundo que existia e era uma pessoa útil à comunidade. Escrevia semanalmente no jornal da cidade, especialmente notícias sobre acontecimentos locais ou nas metrópoles e, por hábito, sempre terminava referindo-se a si mesmo como sujeito de atitudes importantes. Falava na terceira pessoa do singular. Dizia assim: o jornalista Augusto Veiga esteve presente representando o doutor fulano de tal. E transcrevia pronunciamentos que havia eventualmente feito. Ele, na verdade, era a notícia. O acontecimento narrado apenas servia de mote para introduzir a si próprio, atribuindo-se destaque. Era contumaz nesse tipo de comportamento. Ninguém no jornal lhe dava mais crédito e os leitores se acostumaram com essas notícias sem valor. Com o tempo, tornou-se figura de chacota nas conversas de esquina. (mais…)

A longa espera pelo homem moral

 

Campanha política recente deixa à mostra que o Brasil está distante do sonho de colocar no poder aqueles que não tenham vergonha de ser, de fato, homens de bem.

 

Triste da nação que precisa escolher entre os candidatos aos cargos públicos os menos ruins. Longe de oferecerem perspectivas positivas e esperanças verdadeiras, grande parte dos candidatos, especialmente aqueles que possuem melhores condições econômicas, apenas repetem o modelo de sempre: o desprezo pela verdade e o abuso da mentira.

Esperamos eleger o homem moral, porém o que temos não passa do homem medíocre de Ingenieros, eis que ele se maquia diariamente para aparecer na mídia como o bom cidadão, cumpridor de seus compromissos e protetor da família, enfim, o homem honesto. Mas o homem honesto é medíocre por ser apenas honesto. Falta-lhe ideais, coragem, capacidade de perceber a desigualdade com suas vergonhosas injustiças e dispor-se a agir no sentido de eliminar esses nódulos que corroem o tecido social e fazem do País uma nação de poucos ricos e muitos pobres.

É medíocre o homem honesto que se dispõe a utilizar quaisquer meios para alcançar seus objetivos eleitorais, tanto quanto aquele que se aproveita de um fato para ampliar seus efeitos e enganar os eleitores, entregando-se à mentira. O pano de fundo do homem apenas honesto é a cortina do palco: quando erguida deixa à mostra um cenário repleto de personagens fictícios. O real continua a ser representação e a representação é imagem criada com propósitos escusos. (mais…)

NAZARENO TOURINHO: retalhos de uma trajetória intensa e produtiva

 

Contra a versão oficial, Nazareno Tourinho defendeu na tribuna da Assembleia Legislativa do Pará o sentido social da Cabanagem, revolta popular ocorrida contra a extrema pobreza, fome e miséria pós independência do Brasil.

 

MENSAGEM DA PÁGINA do Facebook que comunica a desencarnação da médium Zíbia Gasparetto dias atrás é de uma leveza encantadora. Dir-se-á muito de acordo com o que ensina o espiritismo. Dispensa a velha terminologia plena de tristezas, melancolia, pesares e apenas informa a partida do espírito que trocou um estágio por outro, sem desaparecer.

Eis o texto: “Zíbia Gasparetto, 92 anos, completou hoje sua missão entre nós e parte para uma nova etapa ao lado de seus guias espirituais, deixando uma legião de fãs, amigos e familiares, que foram tocadas por sua graça, delicadeza e por suas palavras sábias. Esse legado será eterno e os conhecimentos de Zíbia sobre as relações humanas e espirituais serão transmitidos por muitas e muitas gerações. Ela segue em paz ao plano espiritual, olhando por todos nós”

A vida inteligente na Terra é uma contínua história de partidas e chegadas, idas e vindas. Espíritos que concluem sua jornada e espíritos que a iniciam, numa alternância permanente. Daí o nascimento e a morte como fenômenos sucessivos. Quando do nascimento em novo corpo físico, os vivos se enchem de júbilo; quando do nascimento no corpo espiritual, os também vivos, mas invisíveis, cantam alegria. Nada de tristeza, amargura e dor. (mais…)

Nazareno Tourinho desencarna em Belém do Pará

O escritor, dramaturgo e jornalista espírita Nazareno Tourinho, de 84 anos, desencarnou neste dia 19 de outubro, em sua cidade natal, Belém do Pará, após sofrer um enfarte. Tourinho é autor de inúmeros livros espíritas e de uma vasta obra de textos teatrais, vários deles premiados e levados ao teatro, tendo sido inclusive homenageado pela Universidade Federal do Pará com a publicação de uma tese de estudo de sua obra teatral, ao tempo em que foram as peças reunidas e publicadas em um bem cuidado livro. Era membro da Academia Paraense de Letras.

Sua obra espírita aborda temas como atividades dos centros espíritas, conceitos filosóficos espíritas, estudos da mediunidade e livro sobre o médium Edson Queiroz, entre outros. Teve atuação destacada em vários estados brasileiros, com participações em congressos, palestras e orientação sobre atividades de desenvolvimento mediúnico. Foi um dos mais abalizados na ação de desenvolvimento da mediunidade, com dois livros sobre o assunto publicados, onde reúne conceitos e experiências.

Fundou em Belém do Pará e dirigiu até o seu desencarne a Casa Espírita do Nazareno, onde desenvolvia atividades assistenciais, ao lado de atendimento de curas, com a atuação simultânea de diversos médiuns, com resultados bastante expressivos. (mais…)

Livro do Cesar Perri propõe união, mas de partida exclui parcelas expressivas do espiritismo brasileiro

O que seria uma união entre as forças espíritas do Brasil? Essa pergunta surge de imediato quando se toma o recente livro escrito por Antonio Cesar Perri de Carvalho, publicado pela Editora EME, de Capivari, São Paulo.

Desde que saiu de Brasília e voltou a residir em São Paulo, após deixar a presidência da FEB, Cesar Perri iniciou uma jornada intensa de reflexões críticas sobre o movimento espírita brasileiro no que tange à sua organização político-administrativa. O seu livro – União dos espíritas. Para onde vamos? – é o resumo dessa jornada e do seu pensamento atual.

A questão, como sabem todos aqueles que estudam o assunto, é antiga e cheia de curvas, desvios e atalhos. Além do mais, está no cerne de toda filosofia que propõe a paz e se funda na espiritualidade humana a busca pela união de pensamentos e ações entre os seres. O espiritismo está entre as mais distintas filosofias e esse propósito de união subjaz como sentimento natural entre os seus adeptos e admiradores, o que pode ser observado desde os primórdios da chegada da doutrina no Brasil, na segunda metade do século XIX.

Nesse período de cerca de 150 anos de presença do espiritismo em solo brasileiro, as tratativas de união e sua efetivação são uma história cujo resumo é uma pálida e frágil peça, onde os grupos excluídos, poucos no início, se multiplicaram a ponto de se questionar hoje, como o faz Cesar Perri, sua validade para os novos tempos. A evidência é que responde enfaticamente: a união que aí está não representa os anseios nem a realidade do espiritismo do século XXI, embora a união continue sendo um objetivo importante. (mais…)

Congressos espíritas: a ausência dos sem voz continua

A extensa programação e a presença de um time de expositores de primeira linha justificam o silêncio imposto aos que teriam o que dizer, mas não são convidados.

A grande pergunta permanece: para quem são feitos os congressos espíritas? A crer no que os multiplicados exemplos mostram, servem aos interesses dos supostos sentinelas da doutrina e a um público que se encanta com a festa, mas não pode se manifestar. São, esses eventos grandiosos, um conclave de múltiplos falantes e nenhum diálogo, por mais conflitante que essa definição pareça.

Veja o congresso do Estado do Rio de Janeiro, a ocorrer agora em outubro/18. Será, sem dúvida nenhuma, grandioso, como antecipa a peça de marketing na internet, pois deve contar com 2.000 participantes e é tratado como “o maior evento espírita” daquele estado. Assim mesmo, em letras garrafais, como se naquele Estado houvesse algum outro evento concorrente.

Leia-se a programação e ver-se-á uma sequência estonteante de palestras, painéis e mesas redondas a testar o fôlego dos participantes durante três dias, com mais de 20 horas de duração, tudo sob a responsabilidade de lideranças espíritas reconhecidas por seu bom desempenho na tribuna, do presidente da FEB a expositores de variados estados brasileiros. A escolha, logo se vê, deu-se por competência e por critérios políticos: nenhum deles sofre qualquer tipo de contestação da oficialidade ou não apresenta algum tipo de risco ao pensamento dominante. Divaldo, dessa vez, não vai estar presente, quiçá por conta de agenda. (mais…)

CPDoc, você o conhece?

Seus membros e fundadores comemoram 30 anos de existência, resistência e trabalhos.

Integrantes do quadro atual do CPDoc
Autores de livros analisados e publicados pelo CPDoc
Três dos fundadores do CPDoc depõem na festa dos 30 anos

As comemorações, realizadas em Santos, o berço natal do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita, CPDoc, aconteceram no dia 1 de setembro próximo passado, nas dependências do Centro Espírita Allan Kardec, que também comemorou, na ocasião, seus 74 anos de vida.

Foi um evento digno de nota. Três décadas atrás, ou seja, em 1988, cinco jovens ousaram materializar um desejo de criar um espaço voltado aos estudos e pesquisas como meio de aprofundamento de uma doutrina que lhes era muito cara: o espiritismo. Tal ousadia representava, já e então, um certo atrevimento em vista das circunstâncias e do momento, circunstâncias que se agravariam com novos fatos que viriam.

O espiritismo no brasil sempre muito tendente ao predomínio de uma massificação baseada no sentimento místico era, como permanece sendo, uma mensagem incorporada idealmente pela classe média brasileira, de forte resistência às iniciativas em que a liberdade de pensamento e expressão se encontram no centro das atenções. Recorde-se que 1988 foi o ano da nova Carta Magna brasileira, conhecida como constituição cidadã. Ou seja, vivia o país seu ponto mais alto do ciclo de libertação da repressão marcada pelo período da ditadura militar, cujos efeitos se estenderam à sociedade como um todo e, naturalmente, também ao meio espírita.

Mas não foi só. Esses jovens pertenciam ao movimento espírita de Santos, que significava, então, não apenas uma cidade praiana, turística e principal porto do país. Era ela a expressão de um movimento rebelde capaz de se contrapor ao status quo. Dois anos antes, suas principais lideranças haviam sido derrotadas em sua proposta de assumir o comando estadual representado pela USE, determinadas a implementar mudanças consideradas demasiadamente ousadas. Ficaram conhecidas como o Grupo de Santos e incorporaram, entre outras, a acusação de intencionarem retirar Jesus da doutrina espírita, por conta de sua resistência à consagração do espiritismo como religião, que, afinal, se tornou predominante. (mais…)

Porta Aberta no apoio à reinserção social

Com apenas dois anos de funcionamento, a Fundação Porta Aberta, na capital paulista, já disse ao que veio.


Uma das turmas formadas na sede da Fundação Porta Aberta.

A ONG idealizada pelos amigos Jacira Silva e Mauro Spinola, espíritas de quatro costados, junta hoje um grupo de colabores dedicados a transformar a esperança em realidade. Nestes dois primeiros anos de vida, instalou-se em sede própria, conseguida através de convênio com o poder público, e já está formando suas primeiras turmas de profissionais como meio de oferecer um novo caminho social aos inscritos.

Como muito bem explica em sua página na internet, a Fundação Porta Aberta é uma ONG que apoia e fomenta atividades de reinserção social e profissional de pessoas em uso abusivo de álcool e outras drogas, com a missão de acolher, empoderar e promover o crescimento pessoal e profissional de pessoas envolvidas com dependência química.

A Fundação promove os cursos de maneira gratuita e funciona como uma espécie de centro de passagem para os dependentes químicos que já receberam tratamento e se encontram na condição de retorno à sociedade. A ideia é ocupar essa espécie de hiato que se forma entre o tratamento e o meio social, onde muitas vezes os assistidos encontram enormes dificuldades. Os cursos profissionalizantes e outros tipos de assistência oferecidos têm o objetivo de suprir necessidades imediatas de recolocação no mercado de trabalho, como uma das condições à reinserção social.

Porta Aberta está localizada no bairro paulistano do Campo Belo, à rua José dos Santos Jr., 563 e pode ser acessada em sua página na internet – clique agora – e pelos telefones 11 3115-1250 ou 11 94174-0695.

Uma equipe de colaboradores voluntários preparou um maravilhoso vídeo que a Fundação está disponibilizando, com a participação e apoio do ator Reynaldo Giannechini. Veja aqui

 

Divaldo Franco: um médium em três tempos

A propósito do anúncio feito pela Mansão do Caminho, para o evento intitulado “Encontro Fraterno com Divaldo Franco”, a realizar-se no próximo mês de setembro, na Bahia.

Os médiuns sempre chamam a atenção por uma ou outra razão. Aqueles que se projetam no cenário social colocam-se sob holofotes permanentes e não conseguem fugir das vistas dos observadores, seja por seu comportamento enquanto médium, seja pela vida que levam. São indivíduos públicos, tanto quanto outros que exercem atividades no âmbito da comunicação, da política e assim por diante. Suas vidas particulares, em certo momento, se confundem com suas atividades e é dessa forma que se tornam visíveis para a parcela da sociedade a que alcançam. Só com muito esforço conseguem manter uma certa privacidade, de modo a proteger a vida íntima, sua e dos seus. Se o homem comum tem imensas dificuldades na sociedade contemporânea para distinguir o público do privado, muito mais difícil será essa distinção para aqueles que se tornam personalidades públicas, tal como ocorre com os médiuns de grande destaque.

Em 1973, Divaldo Franco fez uma palestra na Federação Espírita de São Paulo especialmente para dirigentes e trabalhadores de centros espíritas, por convite do seu Departamento Federativo. O objetivo era fugir do estilo conhecido de oratória do tribuno e colocá-lo mais próximo da realidade das casas espíritas, conversando sobre seus objetivos, necessidades e situações factuais, ao falar diretamente com os dirigentes.

Divaldo surpreendeu positivamente. Quem o conhecia somente pela forma tradicional de oratória teve oportunidade de conhecer uma outra face do tribuno, livre, informal, dialógica, de tom coloquial. Divaldo exemplificou situações, contou casos, riu e fez rir. A começar pela jocosa comparação de família que fez, aproveitando a presença de Eurípedes de Castro ao seu lado. Disse que este estava tentando competir com ele, (mais…)

Espiritas autopromocionais

O simbolismo da mão esquerda não é suficiente para coibir o personalismo e a vaidade, que acabam prevalecendo sobre o conhecimento espírita.

Atualmente, estamos vendo nas redes sociais, nos e-mails e nos diversos blogs individuais uma febre de lideranças espíritas, consagradas ou não, consideráveis ou inexpressivas, realizando verdadeiras proezas autopromocionais, ou seja, a título de difundirem a doutrina, mais não fazem do que promoverem a si mesmos. Buscam o sucesso dos quinze minutos ou a fama forçada na insistência das notícias de pouco valor.

Não se ponha a culpa na rede digital. Antes mesmo dela existir, esse tipo de espirita vaidoso já existia. Nos tempos atuais, porém, com as facilidades que a rede mundial oferece e a quase irresistível atração que exerce, o número deles cresceu assustadora e desavergonhadamente.

 Dizem alguns que é preciso divulgar a doutrina e que os eventos são parte dessa obrigação auto assumida, mas isso não passa de subterfugio para exporem a suas personalidades e darem asas a desejos egoísticos sem nenhum pudor. O que fazem de fato é autopromoção. A doutrina vem apenas em subtítulos ou resumos e os títulos das supostas notícias de que se valem escondem aquilo que acaba por surgir logo em seguida – seus nomes acompanhados de fotos muitas vezes fartas em que aparecem no púlpito ou rodeados de pessoas sorridentes.

São espiritas disfarçados de jornalistas e repórteres, cujo objetivo é se mostrarem na condição de obreiros humildes e empenhados em tornar o alcance da doutrina maior perante a sociedade. Fingem estar fornecendo apenas notícias, para o que são maus jornalistas e pior repórteres. Seus textos sequer cumprem os princípios do lead para que a informação seja completa. À falta de alguém que possa fazer a cobertura jornalística dos eventos que patrocinam ou para os quais são convidados ou se auto convidam, eles mesmos assumem essa tarefa, e o fazem com extremo apego à atualidade dos fatos criados. (mais…)