A morte da liberdade é a morte do Homem

LiberdadeDe Leon Denis a Herculano Pires, a ideia de liberdade acompanha a do progresso ou do fracasso do Espiritismo enquanto movimento e vida. Ambos defendem que o futuro da doutrina se encontra nas mãos dos seres que a dirigem, pois é com a liberdade sagrada de pensar e agir que o homem põe e impõe sua direção.

A noção de liberdade que os dois filósofos ensinam nasce dos sulcos feitos na terra da reflexão espírita que Kardec desbravou, ao fazer surgir o espírito antecedente ao corpo e a este posterior. Estava ele contido nas nuvens tardias do nada e tornou-se, então, palpável a todos os olhares agudos.

Quanto mais o espírito surge pelas frestas dessa floresta de muitos significados e pouca expressão verdadeira, mais assume a sua condição de ser livre, pois o homem é liberdade. Aqueles que o sufocam com suas idiossincrasias e desejos de conquista pela violência travestida de boas intenções não poderão apagar a bagagem amealhada através das eras, das idas e vindas ao corpo, do desdobramento da consciência de si mesmo.

A negação da liberdade apequena e tolhe, mas não apaga ou anula aquilo que já não pode ser mais confrontado. A liberdade suprimida aqui permanece latente e ansiosa, pronta para eclodir mais adiante, porque sua força já não depende mais do exterior, senão de si mesma.

As lideranças espíritas que não compreendem a Vida, não compreendem a Liberdade e não compreendem o Ser. Vida, Ser e Liberdade se completam e a liberdade é o oxigênio que mantém a vida e dá sentido ao ser. Não podendo expressar-se, o Ser paga a dor de uma sentença que é injusta e ao mesmo tempo passageira, pois quem não valoriza a liberdade como expressão inarredável da lei natural é também ou até mais passageiro, pois que vive da brevidade de um pensar marcado para morrer.

A supressão momentânea do direito de pensar e dizer ou o tolhimento do espaço para que a liberdade se manifeste sob controle apequena também o futuro imediato, pois que coloca o pensamento espírita sob o jugo do homem menor. Este homem menor é o que delimita o espaço da liberdade a paredes milimetradas pela matéria visível, enganado por si mesmo ante a necessidade de organizar pelo método do controle do agir e do fazer, na ante educação que destrói a história das conquistas humanas.

Denis e Herculano pensaram uma liberdade que Kardec colheu nos canteiros matinais umedecidos pelo sereno espiritual, como frutos maduros dotados das melhores condições para alimentar a caminhada do ser em seus desígnios imortais. Apenas a mediocridade de hoje pode deter e atrasar essa caminhada, mas o preço a pagar por isso será imensamente doloroso.

Abrir as portas da doutrina para as alamedas floridas da liberdade é ato de homens corajosos, apenas, pois o poder quando é justo ensina a voar ao invés de manter no chão pobre da matéria o espírito desejoso de infinito. O homem medíocre, sob o disfarce da segurança, fecha e tranca as portas, crente que defende o patrimônio que somente consegue ler nas rotas páginas do livro impresso. Mas o patrimônio espírita da palavra é apenas o primeiro ato da peça ensaiada no palco do universo. O seu significado paira para além das linhas e dos pontos linguísticos e pode ser encontrado no dicionário do espírito imortal.

Limitar a palavra é o começo da ação que visa deter o pensamento criativo, cuja consequência maior se mostra na ausência de conquistas que embalam o progresso. O líder medíocre propaga a doutrina mediocrizada pela incapacidade de ser por ele compreendida e expressada. Sob a toga do medo, resta-lhe trancar as portas e impedir que os ventos da liberdade penetrem no ambiente e encantem aqueles que se submetem ao domínio do pensamento canhestro.

Entretanto, a morte no agora que destrói sonhos de liberdade será superada mais adiante pelo ser imortal, e este renascerá das mesmas entranhas da terra da esperança e com os mesmos sonhos, a fim de continuar a construir o mundo prometido da justiça e do amor.

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