Ano: 2018

Lar Paulo de Tarso precisa de apoio urgente

Instituição modelar, voltada para o apoio à criança em risco social, atua há mais de 20 anos em Recife e funciona como casa de passagem.

Conhecemos de perto o Lar Paulo de Tarso, bem como seus abnegados dirigentes e podemos afiançar da qualidade do trabalho que realizam, bem como a honestidade e transparência com que a instituição é administrada. Inspirados pela filosofia espírita, buscam atender às necessidades psicológicas, de saúde e educação das crianças e adolescentes que lhes são encaminhados pelo Juizado de Menores, com o objetivo de reintegrá-los à família ou de encaminhá-los a um novo lar por meio da adoção. Por isso, fazemos nosso o apelo do Lar, que pede apoio neste momento de dificuldades, conforme abaixo exposto.

APOIO NA TRANSIÇÃO

O Lar Paulo de Tarso (www.iclarpaulodetarso.org.br) desde 1991 acolhe de forma integral crianças e adolescentes em situação de risco social de alta complexidade, ou seja, abandono, abuso sexual, negligência e maus tratos. O trabalho é extensivo aos seus familiares.

A sua direção é formada por voluntários, sem qualquer tipo de remuneração. Possui o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) número 71000.054671/2016-12 e o Título de Utilidade Pública Federal número 08071.013622/2007-51.

A sua receita é oriunda de convênios, doações, associados, parcerias e eventos. O custo médio do Lar é bem inferior à referência utilizada para uma casa de acolhimento.

Recentemente tivemos o término de dois convênios públicos. Devido a atrasos nos trâmites internos dos órgãos responsáveis pela renovação, a previsão é que fiquemos até 04 (quatro) meses sem a cobertura dos mesmos.

As crianças e adolescentes moram no Lar, não havendo possibilidade de postergação das despesas.

Para atravessar este período de transição sem comprometer a sustentabilidade futura, solicitamos o apoio na doação de qualquer valor financeiro.

Para os interessados em nos ajudar, seguem os dados bancários do Lar:

– Razão social: Instituição de Caridade Lar Paulo de Tarso

– Banco: Banco do Brasil (001)

– Agência: 1245-9

– Conta Corrente: 119346-5

– CNPJ da Instituição: 35.618.933/0001-21

Favor enviarem o comprovante bancário da doação para o e-mail larpaulodetarso@yahoo.com.br para emitirmos o recibo.

O Lar Paulo de Tarso agradece pela compreensão, dedicação e apoio de todos vocês nessa “Corrente do Bem”.

(Clique em www.iclarpaulodetarso.org.br e no menu “Como Colaborar” saiba como apoiar o Lar Paulo de Tarso).

Divaldo Franco: um médium em três tempos

A propósito do anúncio feito pela Mansão do Caminho, para o evento intitulado “Encontro Fraterno com Divaldo Franco”, a realizar-se no próximo mês de setembro, na Bahia.

Os médiuns sempre chamam a atenção por uma ou outra razão. Aqueles que se projetam no cenário social colocam-se sob holofotes permanentes e não conseguem fugir das vistas dos observadores, seja por seu comportamento enquanto médium, seja pela vida que levam. São indivíduos públicos, tanto quanto outros que exercem atividades no âmbito da comunicação, da política e assim por diante. Suas vidas particulares, em certo momento, se confundem com suas atividades e é dessa forma que se tornam visíveis para a parcela da sociedade a que alcançam. Só com muito esforço conseguem manter uma certa privacidade, de modo a proteger a vida íntima, sua e dos seus. Se o homem comum tem imensas dificuldades na sociedade contemporânea para distinguir o público do privado, muito mais difícil será essa distinção para aqueles que se tornam personalidades públicas, tal como ocorre com os médiuns de grande destaque.

Em 1973, Divaldo Franco fez uma palestra na Federação Espírita de São Paulo especialmente para dirigentes e trabalhadores de centros espíritas, por convite do seu Departamento Federativo. O objetivo era fugir do estilo conhecido de oratória do tribuno e colocá-lo mais próximo da realidade das casas espíritas, conversando sobre seus objetivos, necessidades e situações factuais, ao falar diretamente com os dirigentes.

Divaldo surpreendeu positivamente. Quem o conhecia somente pela forma tradicional de oratória teve oportunidade de conhecer uma outra face do tribuno, livre, informal, dialógica, de tom coloquial. Divaldo exemplificou situações, contou casos, riu e fez rir. A começar pela jocosa comparação de família que fez, aproveitando a presença de Eurípedes de Castro ao seu lado. Disse que este estava tentando competir com ele, (mais…)

Espiritas autopromocionais

O simbolismo da mão esquerda não é suficiente para coibir o personalismo e a vaidade, que acabam prevalecendo sobre o conhecimento espírita.

Atualmente, estamos vendo nas redes sociais, nos e-mails e nos diversos blogs individuais uma febre de lideranças espíritas, consagradas ou não, consideráveis ou inexpressivas, realizando verdadeiras proezas autopromocionais, ou seja, a título de difundirem a doutrina, mais não fazem do que promoverem a si mesmos. Buscam o sucesso dos quinze minutos ou a fama forçada na insistência das notícias de pouco valor.

Não se ponha a culpa na rede digital. Antes mesmo dela existir, esse tipo de espirita vaidoso já existia. Nos tempos atuais, porém, com as facilidades que a rede mundial oferece e a quase irresistível atração que exerce, o número deles cresceu assustadora e desavergonhadamente.

 Dizem alguns que é preciso divulgar a doutrina e que os eventos são parte dessa obrigação auto assumida, mas isso não passa de subterfugio para exporem a suas personalidades e darem asas a desejos egoísticos sem nenhum pudor. O que fazem de fato é autopromoção. A doutrina vem apenas em subtítulos ou resumos e os títulos das supostas notícias de que se valem escondem aquilo que acaba por surgir logo em seguida – seus nomes acompanhados de fotos muitas vezes fartas em que aparecem no púlpito ou rodeados de pessoas sorridentes.

São espiritas disfarçados de jornalistas e repórteres, cujo objetivo é se mostrarem na condição de obreiros humildes e empenhados em tornar o alcance da doutrina maior perante a sociedade. Fingem estar fornecendo apenas notícias, para o que são maus jornalistas e pior repórteres. Seus textos sequer cumprem os princípios do lead para que a informação seja completa. À falta de alguém que possa fazer a cobertura jornalística dos eventos que patrocinam ou para os quais são convidados ou se auto convidam, eles mesmos assumem essa tarefa, e o fazem com extremo apego à atualidade dos fatos criados. (mais…)

Quando a hora chegar

Dei “ordens” para minha mulher, sob o testemunho de minha filha, de 13 anos. Quis deixar as coisas claras, sem discussão, pois o diálogo nesse caso teria um desfecho desfavorável: duas contra um. Diálogo é fundamental, mas peraí…

Ela quis saber, imediatamente, a razão “fundamental” das minhas determinações.

Simples, disse-lhe: desde quando conheci o espiritismo que o tema da morte me ronda a vida. Rondava antes, mas eu não ligava. Atenção, mesmo, só depois do espiritismo.

Fui colecionando experiências, teorias, informações.

Primeiro, foi o choque do Livro dos Espíritos. Sim, choque! Forte, cento e vinte volts, sei lá. Funcionou, despertei. Mas era só o começo. Tinha muita coisa pela frente.

Tomei conhecimento de que morte e vida fazem parte de uma única realidade: a vida. Ou seja, morreremos, mas não perderemos a vida. A morte virá, mas a vida vencerá. Flutuaremos, despertaremos, seremos.

Até aí, tudo bem. Pensava em luto, tristeza, perda, separação, tudo aquilo que acontece com quem fica depois da partida de alguém. E ainda tinha os negativistas, os niilistas, os céticos, a me infernizarem com suas ladainhas do fim e do nada.

Eu teria tempo, precisaria de tempo para superar a ideia do luto, já que seria preciso fazer uma mudança cultural inevitável, pois ninguém de bom-senso vai negar que um dos maiores problemas nossos com os preconceitos e os falsos conceitos tem origem cultural, resultado da consciência sociológica que desenvolvemos. Eu disse consciência. (mais…)

Pesar, dor, tristeza: quando aprenderemos?

As palavras mal ditas contaminam o significado e perpetuam o domínio da incoerência.

Natureza e morte são termos antagônicos na economia da vida, de tal modo que o primeiro não incorpora o segundo porque não existe morte na Natureza. A morte como destruição e ponto final é uma interpretação cultural, simbolismo criado para expressar o sentimento de impotência do ser ante os fenômenos da vida e do Universo. A flor quando perde sua vitalidade não está à morte, mas num ponto do ciclo de sua vida de transformações. O pássaro sem a energia vital parte para outro evento natural. Os corpos dos homens, sem o mesmo elemento vital, seguem semelhante ciclo e todos, flor, pássaro e corpos humanos, no curso das leis naturais, cumprem o mistério da libertação e deixam as essências imortais que os habitam livres para outras uniões. No ser humano, o espírito, liberto, segue impulsionado por sua história de conquistas e desafios, para mais tarde renascer e progredir sempre, pois, “tal é a lei”.

O espiritismo é doutrina de vida, valorizadora das leis que presidem a Natureza a demonstrar que a matéria e o espírito coexistem em regime esplêndido e harmonioso, sem, contudo, deixar de pôr à vista que o espírito se sobrepõe à matéria. O espírito é a inteligência que aviva a matéria, a matéria é o campo que permite ao espírito as experiências evolutivas. Ambos, espírito e matéria, existem antes e depois de sua união, mas a matéria sem o espírito é a flor sem vitalidade, o corpo sem inteligência, a máquina sem o motor. A matéria é perene em suas mutações, o espírito é imortal em sua aspiral evolutiva. (mais…)

Chico Xavier e o desafio do discurso biográfico

Onde se situa o mito e onde está o dever de retratar o Homem? 

Chico Xavier 7
Chico Xavier e Pietro Ubaldi. Dois médiuns, duas históri

Alguns leitores demonstram incômodo diante dos retratos de Chico Xavier feitos pelas câmaras escuras dos seus biógrafos, indagando – e até culpando – esses biógrafos pela ausência da visão realista do ser humano existencial, prevalecendo da visão mítica que o coloca num pedestal distante, consequentemente, o distancia do homem que ele foi.

Se é certo que cada cabeça é uma sentença, os autores atuais e futuros da vida de Chico Xavier devem ser analisados na sua autonomia e objetivos; e só a partir daí sentenciados.

O discurso biográfico gera sempre discussões diante da percepção de cada leitor e não raras vezes aparece pleno de ambiguidades e contradições, tais como são as vidas dos próprios seres humanos. Há uma questão de resolução extremamente difícil nestes discursos, especialmente quando o pragmatismo não se mostra operativo no autor. Trata-se de decidir sobre quanto a realidade perceptível do homem enquanto ser contraditório deve receber os traços mais fortes. Quando se trata de personalidades do destaque de Chico Xavier essa questão aumenta exponencialmente.

Cairbar SchutelAlguns exemplos servem de comparação. Ao pesquisarmos a vida de Cairbar Schutel[1] para o livro “O Bandeirante do Espiritismo”, que lançamos no IX Congresso Brasileiro de Jornalistas e Escritores Espíritas, em 1986, Eduardo Monteiro e eu nos deparamos com momentos de grande angústia e, por que não, de questionamentos ante fatos de sua vida que poderiam alterar parcialmente a imagem geral que dele sempre foi veiculada. O pragmatismo que nos movia era o da verdade, que se coloca acima de qualquer óbice, mas, confesso, havia momentos em que isso não era suficiente, seja porque certas evidências não podiam ser comprovadas, seja porque havia do outro lado aqueles que defendiam não ser verdade o que nos parecia ter ocorrido.

Capa Vinicius sombraNo caso da biografia de outro espírita bastante conhecido no Sudeste brasileiro, Pedro de Camargo, o Vinicius[2], o dilema não se deveu a nós, os autores, mas a familiares do biografado, que não desejavam um discurso sem um forte conteúdo emocional, do qual procurávamos nos afastar. A biografia ficou estacionada por alguns anos, até que decidimos concluí-la apesar das deficiências por falta de parte das informações, que nos foram sonegadas.

Até que ponto o realismo não torna o discurso biográfico frio e pouco atrativo? Ou é o contrário? Qual é o limite entre a dura realidade do cotidiano dos seres humanos, em que se colocam no jogo existencial com suas virtudes e deficiências, ao mesmo tempo em que se mostram capazes de realizações extraordinárias? A fotografia nua e crua de seus momentos turvos deve conviver com as imagens coloridas de suas conquistas admiráveis? Se sim, em que medida?

Quando se trata de personagens conhecidas publicamente por suas proezas e suas mazelas, as biografias encontram um tipo de liberdade discursiva que nem sempre é bem vista quando o indivíduo retratado obteve o reconhecimento social por ações que marcam o sentimento, elevando-o a uma condição mitológica. Chico Xavier encontra-se certamente entre estes. Sua vida e sua obra, indissociáveis, não podem ser retratadas sem as cores das belas imagens e o preto e branco da realidade humana, mas é neste momento que o dilema se acentua. Tratado por uns como santo e por outros como infalível, posicionado na escala dos espíritos superiores por mais alguns, Chico tornou-se uma personalidade inalcançável de tal modo que praticamente tornou impossível representar com os toques da realidade sua dimensão humana.

O terreno aí é bastante pedregoso. Adversários de sua obra não aceitam o valor que admiradores lhe atribuem por conta do homem premido pelas exigências do corpo e do meio, que inevitavelmente exercem suas influências e contribuem para ações que deveriam ser vistas com naturalidade, mas não o são, pelo menos em tipos como Chico Xavier. Que outros se comportem por padrões menores é aceitável, mas aqueles que se elevam com feitos pouco comuns, não. Estes têm a obrigação de serem incomuns em tudo.

De outro lado, os admiradores fervorosos do médium costumam tornarem-se surdos aos comportamentos comuns aos seres humanos que o médium demonstrava, preferindo atribuir isto à falta de honestidade daqueles que desejam somente diminuir sua obra com acusações sem prova.

Com isso, constroem-se duas imagens ambíguas: de um lado, a do médium e obra perfeitos e, de outro, a do médium e obra condenáveis. Ambas padecem da falta dessa coerência que solicita a compreensão profunda da dimensão humana para lhe atribuir o valor devido. O ser humano não é o espírito ou o corpo, mas a fusão de ambos, o que o leva a existir no agora, sob a influência das experiências de vidas anteriores e das exigências naturais do mundo físico de agora. Para alcançar realizações expressivas, o ser dual se esforça e sofre, dividindo sua existência entre momentos de grandezas e de fraquezas, premido por uma realidade que o leva a fazer escolhas de experiências a vivenciar. Quando os desejos mais simples não alcançam seu termo, a decepção e a tristeza; quando a obra se projeta vigorosamente no futuro, a felicidade. O homem sonha, o médium age, mas o sonho e a ação mediúnica não estão necessariamente simétricos. Os sonhos estão ligados à dimensão humana do ser, enquanto a ação mediúnica se relaciona ao compromisso livremente assumido. O médium não imagina que deve deixar de ser homem e este não deseja que apenas o médium prepondere. Os conflitos que dessa dualidade surgem não costumam ser bem compreendidos nem pelos adversários nem pelos admiradores, quando deveriam representar apenas a realidade do ser.

Tratado na condição de mito, Chico se distancia do homem; visto somente na sua condição humana, Chico se afasta do médium. Apesar disso, o médium é o homem, o homem é o médium, associação esta que se deu desde o berço e não em um determinado ponto da existência do homem, nem de forma aleatória ou ocasional. Para se entender o médium, requisita-se a dimensão humana, da mesma maneira que, no caso de Chico, para entender o homem faz-se necessária e dimensão mediúnica.

O médium que Chico foi era o espirito no corpo, fundidos, cérebro e memória espiritual conjugados na ação de interpretar os seres invisíveis no momento afetivo da comunicação mediúnica. Nesse instante sublime, o homem não abandona sua condição humana para realizar a ação mediadora, antes, utiliza-a ou coloca-a à disposição do emissor invisível. Kardec descortina essa realidade e a reforça, clamando por uma compreensão capaz de auxiliar no julgamento do produto mediúnico, a mensagem. O médium no corpo é o ser no mundo, necessário ao comunicante, pelo qual este vislumbra a possibilidade de intervir e participar objetivamente deste mundo. O médium no corpo é o ser na matéria, de quem o espírito precisa para suas intervenções aqui, no planeta, desde o lugar invisível em que se encontra.

A rigor, o biógrafo não deveria enfrentar o dilema de um retrato em preto e branco ou somente em cores, porque, assim como as fotografias têm em sua gênese um período em preto e branco e em sua história outro em cores, as vidas humanas também têm. Pelo menos aqui no planeta onde o maior desafio é colorir o preto e branco das ações com os tons da experiência que embelezam a alma.

E o leitor? Bem, este aprenderá em algum momento que o ser no mundo é o espírito em busca da sua própria superação.

[1] Monteiro, E.C. & Garcia, W. Cairbar Schutel, o Bandeirante do Espiritismo, Ed. O Clarim, Matão, SP, 1986.

[2] Garcia, W. Vinícius, educador de almas, Ed. EME, Capivari, SP, 1995.

Publicado originalmente em: https://blogabpe.org/2016/06/03/chico-xavier-e-o-desafio-do-discurso-biografico/

 

Sonho, utopia, realidade. As colônias espirituais em destaque

RESENHA

Crer por crer é desperdício. Não crer por não crer é estultice. Mas crer por saber é inteligente. Quando surgiu a primeira edição do livro Nosso lar, psicografia do Chico Xavier e autoria de André Luiz, fez-se um grande alvoroço no Brasil. A crítica marcou a obra como pura ficção, os leitores simples tomaram-se de encanto com a possibilidade de viver depois da morte em condições assemelhadas à vida na Terra, mas muitas lideranças espíritas se surpreenderam com as revelações e não tiveram receio de rejeitá-la, tendo por argumento principal a falta de informações na obra básica da codificação empreendida por Allan Kardec. As mais prudentes preferiram colocar o livro de molho e aguardar maiores confirmações.

O fato é que antes mesmo de Kardec o assunto entrou nas cogitações a partir de inúmeras obras apresentadas por médiuns de diversos matizes. Com Kardec, o assunto ganhou foros de possibilidade dadas ainda as pequenas, mas consistentes abordagens que ofereciam uma base lógica dessa realidade, acrescida de exemplos.

Após Kardec, lideranças representativas dos verdadeiros e dedicados estudiosos se reproduziram, convictas de que a vida no mundo espiritual não se dá simplesmente sobre a matéria fluídica imponderável, senão sob uma consistente base de solidez e planejamento, construção e organização social, de maneira que, se não possui as mesmas condições da vida material que o planeta Terra conhece, tem semelhanças com esta que, em certos casos, mais parecem ser uma extensão da vida material terrena. A informação, contudo, mais forte nos conduz a ver pelo lado contrário, ou seja, é a vida na Terra que se assemelha à espiritual, embora a semelhança seja, segundo dizem os espíritos, ainda bastante nebulosa. (mais…)

Gasparetto: o médium dos pintores invisíveis

Gasparetto, apresentador de tv

Conheci-o no começo da década de 1970. Antes, havia conhecido seus pais, Zíbia e Aldo, que atuavam como expositores nos cursos da Federação Espírita do Estado de São Paulo, onde me matriculei com o desejo de aprofundar meus conhecimentos espíritas. Zíbia, na ocasião, já despontava com sua mediunidade psicográfica, tendo publicado dois livros: O amor venceu e O morro das ilusões. Já como integrante da equipe do jornal Correio Fraterno do ABC, recebi de Zíbia os direitos de publicação do livro Entre o amor e a guerra, que teve ali duas edições. Zíbia cancelou os direitos por conta da contrariedade que teve com uma crítica publicada no Correio, feita por especialista em literatura, apontando deficiências técnicas na obra. Nem a resenha publicada ao lado, exortando as qualidades do conteúdo do livro foi suficiente para demovê-la da decisão. A partir de então, Zíbia passou a publicar seus livros por sua própria editora.

Estive mais próximo de Luiz Antônio Gasparetto depois que Elsie Dubugras entregou-me a responsabilidade de planejar e publicar o livro Renoir, é você?, obra bilíngue português/inglês cujo título resultou de um programa de tv veiculado na Europa, programa este que teve ampla repercussão e foi reprisado inúmeras vezes, no qual Gasparetto produz telas mediúnicas com a assinatura do conhecido pintor francês. Durante o período de preparação do livro, acompanhei Gasparetto em diversas apresentações na cidade de São Paulo, testemunhando de perto o extraordinário fenômeno, bem como reunindo-me com ele e Elsie por inúmeras ocasiões. O livro Renoir, é você? foi o primeiro publicado sobre a produção mediúnica de Gasparetto, mas é muito pouco conhecido hoje e sequer consta da bibliografia do médium. É assinado por Elsie, Gasparetto e Espíritos que possuem obras reproduzidas no livro. (mais…)

A prece do Salomão e o ensino de Kardec

O amigo Salomão Benchaya, de Porto Alegre, com seu artigo “Questão da prece” (texto abaixo) abre espaço para importante crítica da prece, ou seja, para ampla reflexão a respeito deste tema que tem movimentado os meios espíritas desde Kardec. Benchaya aponta para diversos problemas e faz algumas afirmações contundentes, a principal delas: “O Deus da primeira pergunta do LE não é o mesmo Deus referido no restante da codificação”.

Salomão exagerou? Sem dúvida.

Com o espiritismo, a prece deixou de ser uma simples questão de fé e mudou-se para o campo da razão, constituindo-se, pois, um objeto de conhecimento. A prece e tudo o mais que antes pertencia ao domínio da religião. Daí porque deve e pode ser discutida, analisada e aprofundada em seu conteúdo, como o faz o Benchaya. Todavia, trata-se de um tema muito mais complexo do que se imagina à primeira vista, porque envolve uma gama enorme de sub-questões que não podem ser negligenciadas.

Vamos, todavia, neste primeiro momento centrar nosso foco na afirmação de que o Deus da primeira questão de O livro dos espíritos chegou esgarçado ao final da codificação. É preciso recordar que Benchaya parte para esta conclusão após entender que Kardec apresenta em muitas partes da codificação um Deus teísta, enquanto que a primeira questão do Livro dos espíritos nos mostra um Deus deísta. Sim, no espiritismo, o Deísmo tem supremacia sobre o Teísmo, porquanto o primeiro insere a razão como proposta de conhecimento, enquanto que o segundo permanece no campo da crença que prescinde da razão. (mais…)