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Jorge Rizzini entre luzes e sombras, pela Editora Pixel

A Editora Pixel Books acaba de lançar, pela plataforma digital da Apple, o livro Jorge Rizzini entre luzes e sombras, de autoria de Wilson Garcia. Trata-se do maior acervo de informações sobre a personalidade daquele que foi conhecido como um dos mais destacados polemistas espíritas do Brasil, com uma trajetória intensa na divulgação e defesa da doutrina de Allan Kardec. A presente edição compreende a ampliação e atualização da edição disponibilizada pela Scrib, de título “Muito além das sombras”, a qual permanece à disposição dos interessados, com download livre.

O livro aborda, de maneira inédita, inúmeras situações do escritor e médium:

# A sua relação de quase trinta anos com o filósofo, escritor e jornalista José Herculano Pires. (mais…)

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CPDoc, você o conhece?

Seus membros e fundadores comemoram 30 anos de existência, resistência e trabalhos.

Integrantes do quadro atual do CPDoc
Autores de livros analisados e publicados pelo CPDoc
Três dos fundadores do CPDoc depõem na festa dos 30 anos

As comemorações, realizadas em Santos, o berço natal do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita, CPDoc, aconteceram no dia 1 de setembro próximo passado, nas dependências do Centro Espírita Allan Kardec, que também comemorou, na ocasião, seus 74 anos de vida.

Foi um evento digno de nota. Três décadas atrás, ou seja, em 1988, cinco jovens ousaram materializar um desejo de criar um espaço voltado aos estudos e pesquisas como meio de aprofundamento de uma doutrina que lhes era muito cara: o espiritismo. Tal ousadia representava, já e então, um certo atrevimento em vista das circunstâncias e do momento, circunstâncias que se agravariam com novos fatos que viriam.

O espiritismo no brasil sempre muito tendente ao predomínio de uma massificação baseada no sentimento místico era, como permanece sendo, uma mensagem incorporada idealmente pela classe média brasileira, de forte resistência às iniciativas em que a liberdade de pensamento e expressão se encontram no centro das atenções. Recorde-se que 1988 foi o ano da nova Carta Magna brasileira, conhecida como constituição cidadã. Ou seja, vivia o país seu ponto mais alto do ciclo de libertação da repressão marcada pelo período da ditadura militar, cujos efeitos se estenderam à sociedade como um todo e, naturalmente, também ao meio espírita.

Mas não foi só. Esses jovens pertenciam ao movimento espírita de Santos, que significava, então, não apenas uma cidade praiana, turística e principal porto do país. Era ela a expressão de um movimento rebelde capaz de se contrapor ao status quo. Dois anos antes, suas principais lideranças haviam sido derrotadas em sua proposta de assumir o comando estadual representado pela USE, determinadas a implementar mudanças consideradas demasiadamente ousadas. Ficaram conhecidas como o Grupo de Santos e incorporaram, entre outras, a acusação de intencionarem retirar Jesus da doutrina espírita, por conta de sua resistência à consagração do espiritismo como religião, que, afinal, se tornou predominante. (mais…)

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Porta Aberta no apoio à reinserção social

Com apenas dois anos de funcionamento, a Fundação Porta Aberta, na capital paulista, já disse ao que veio.

Uma das turmas formadas na sede da Fundação Porta Aberta.

A ONG idealizada pelos amigos Jacira Silva e Mauro Spinola, espíritas de quatro costados, junta hoje um grupo de colabores dedicados a transformar a esperança em realidade. Nestes dois primeiros anos de vida, instalou-se em sede própria, conseguida através de convênio com o poder público, e já está formando suas primeiras turmas de profissionais como meio de oferecer um novo caminho social aos inscritos.

Como muito bem explica em sua página na internet, a Fundação Porta Aberta é uma ONG que apoia e fomenta atividades de reinserção social e profissional de pessoas em uso abusivo de álcool e outras drogas, com a missão de acolher, empoderar e promover o crescimento pessoal e profissional de pessoas envolvidas com dependência química.

A Fundação promove os cursos de maneira gratuita e funciona como uma espécie de centro de passagem para os dependentes químicos que já receberam tratamento e se encontram na condição de retorno à sociedade. A ideia é ocupar essa espécie de hiato que se forma entre o tratamento e o meio social, onde muitas vezes os assistidos encontram enormes dificuldades. Os cursos profissionalizantes e outros tipos de assistência oferecidos têm o objetivo de suprir necessidades imediatas de recolocação no mercado de trabalho, como uma das condições à reinserção social.

Porta Aberta está localizada no bairro paulistano do Campo Belo, à rua José dos Santos Jr., 563 e pode ser acessada em sua página na internet – clique agora – e pelos telefones 11 3115-1250 ou 11 94174-0695.

Uma equipe de colaboradores voluntários preparou um maravilhoso vídeo que a Fundação está disponibilizando, com a participação e apoio do ator Reynaldo Giannechini. Veja aqui

 

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Lar Paulo de Tarso precisa de apoio urgente

Instituição modelar, voltada para o apoio à criança em risco social, atua há mais de 20 anos em Recife e funciona como casa de passagem.

Conhecemos de perto o Lar Paulo de Tarso, bem como seus abnegados dirigentes e podemos afiançar da qualidade do trabalho que realizam, bem como a honestidade e transparência com que a instituição é administrada. Inspirados pela filosofia espírita, buscam atender às necessidades psicológicas, de saúde e educação das crianças e adolescentes que lhes são encaminhados pelo Juizado de Menores, com o objetivo de reintegrá-los à família ou de encaminhá-los a um novo lar por meio da adoção. Por isso, fazemos nosso o apelo do Lar, que pede apoio neste momento de dificuldades, conforme abaixo exposto.

APOIO NA TRANSIÇÃO

O Lar Paulo de Tarso (www.iclarpaulodetarso.org.br) desde 1991 acolhe de forma integral crianças e adolescentes em situação de risco social de alta complexidade, ou seja, abandono, abuso sexual, negligência e maus tratos. O trabalho é extensivo aos seus familiares.

A sua direção é formada por voluntários, sem qualquer tipo de remuneração. Possui o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) número 71000.054671/2016-12 e o Título de Utilidade Pública Federal número 08071.013622/2007-51.

A sua receita é oriunda de convênios, doações, associados, parcerias e eventos. O custo médio do Lar é bem inferior à referência utilizada para uma casa de acolhimento.

Recentemente tivemos o término de dois convênios públicos. Devido a atrasos nos trâmites internos dos órgãos responsáveis pela renovação, a previsão é que fiquemos até 04 (quatro) meses sem a cobertura dos mesmos.

As crianças e adolescentes moram no Lar, não havendo possibilidade de postergação das despesas.

Para atravessar este período de transição sem comprometer a sustentabilidade futura, solicitamos o apoio na doação de qualquer valor financeiro.

Para os interessados em nos ajudar, seguem os dados bancários do Lar:

– Razão social: Instituição de Caridade Lar Paulo de Tarso

– Banco: Banco do Brasil (001)

– Agência: 1245-9

– Conta Corrente: 119346-5

– CNPJ da Instituição: 35.618.933/0001-21

Favor enviarem o comprovante bancário da doação para o e-mail larpaulodetarso@yahoo.com.br para emitirmos o recibo.

O Lar Paulo de Tarso agradece pela compreensão, dedicação e apoio de todos vocês nessa “Corrente do Bem”.

(Clique em www.iclarpaulodetarso.org.br e no menu “Como Colaborar” saiba como apoiar o Lar Paulo de Tarso).

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Divaldo Franco: um médium em três tempos

A propósito do anúncio feito pela Mansão do Caminho, para o evento intitulado “Encontro Fraterno com Divaldo Franco”, a realizar-se no próximo mês de setembro, na Bahia.

Os médiuns sempre chamam a atenção por uma ou outra razão. Aqueles que se projetam no cenário social colocam-se sob holofotes permanentes e não conseguem fugir das vistas dos observadores, seja por seu comportamento enquanto médium, seja pela vida que levam. São indivíduos públicos, tanto quanto outros que exercem atividades no âmbito da comunicação, da política e assim por diante. Suas vidas particulares, em certo momento, se confundem com suas atividades e é dessa forma que se tornam visíveis para a parcela da sociedade a que alcançam. Só com muito esforço conseguem manter uma certa privacidade, de modo a proteger a vida íntima, sua e dos seus. Se o homem comum tem imensas dificuldades na sociedade contemporânea para distinguir o público do privado, muito mais difícil será essa distinção para aqueles que se tornam personalidades públicas, tal como ocorre com os médiuns de grande destaque.

Em 1973, Divaldo Franco fez uma palestra na Federação Espírita de São Paulo especialmente para dirigentes e trabalhadores de centros espíritas, por convite do seu Departamento Federativo. O objetivo era fugir do estilo conhecido de oratória do tribuno e colocá-lo mais próximo da realidade das casas espíritas, conversando sobre seus objetivos, necessidades e situações factuais, ao falar diretamente com os dirigentes.

Divaldo surpreendeu positivamente. Quem o conhecia somente pela forma tradicional de oratória teve oportunidade de conhecer uma outra face do tribuno, livre, informal, dialógica, de tom coloquial. Divaldo exemplificou situações, contou casos, riu e fez rir. A começar pela jocosa comparação de família que fez, aproveitando a presença de Eurípedes de Castro ao seu lado. Disse que este estava tentando competir com ele, (mais…)

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Espiritas autopromocionais

O simbolismo da mão esquerda não é suficiente para coibir o personalismo e a vaidade, que acabam prevalecendo sobre o conhecimento espírita.

Atualmente, estamos vendo nas redes sociais, nos e-mails e nos diversos blogs individuais uma febre de lideranças espíritas, consagradas ou não, consideráveis ou inexpressivas, realizando verdadeiras proezas autopromocionais, ou seja, a título de difundirem a doutrina, mais não fazem do que promoverem a si mesmos. Buscam o sucesso dos quinze minutos ou a fama forçada na insistência das notícias de pouco valor.

Não se ponha a culpa na rede digital. Antes mesmo dela existir, esse tipo de espirita vaidoso já existia. Nos tempos atuais, porém, com as facilidades que a rede mundial oferece e a quase irresistível atração que exerce, o número deles cresceu assustadora e desavergonhadamente.

 Dizem alguns que é preciso divulgar a doutrina e que os eventos são parte dessa obrigação auto assumida, mas isso não passa de subterfugio para exporem a suas personalidades e darem asas a desejos egoísticos sem nenhum pudor. O que fazem de fato é autopromoção. A doutrina vem apenas em subtítulos ou resumos e os títulos das supostas notícias de que se valem escondem aquilo que acaba por surgir logo em seguida – seus nomes acompanhados de fotos muitas vezes fartas em que aparecem no púlpito ou rodeados de pessoas sorridentes.

São espiritas disfarçados de jornalistas e repórteres, cujo objetivo é se mostrarem na condição de obreiros humildes e empenhados em tornar o alcance da doutrina maior perante a sociedade. Fingem estar fornecendo apenas notícias, para o que são maus jornalistas e pior repórteres. Seus textos sequer cumprem os princípios do lead para que a informação seja completa. À falta de alguém que possa fazer a cobertura jornalística dos eventos que patrocinam ou para os quais são convidados ou se auto convidam, eles mesmos assumem essa tarefa, e o fazem com extremo apego à atualidade dos fatos criados. (mais…)

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Quando a hora chegar

Dei “ordens” para minha mulher, sob o testemunho de minha filha, de 13 anos. Quis deixar as coisas claras, sem discussão, pois o diálogo nesse caso teria um desfecho desfavorável: duas contra um. Diálogo é fundamental, mas peraí…

Ela quis saber, imediatamente, a razão “fundamental” das minhas determinações.

Simples, disse-lhe: desde quando conheci o espiritismo que o tema da morte me ronda a vida. Rondava antes, mas eu não ligava. Atenção, mesmo, só depois do espiritismo.

Fui colecionando experiências, teorias, informações.

Primeiro, foi o choque do Livro dos Espíritos. Sim, choque! Forte, cento e vinte volts, sei lá. Funcionou, despertei. Mas era só o começo. Tinha muita coisa pela frente.

Tomei conhecimento de que morte e vida fazem parte de uma única realidade: a vida. Ou seja, morreremos, mas não perderemos a vida. A morte virá, mas a vida vencerá. Flutuaremos, despertaremos, seremos.

Até aí, tudo bem. Pensava em luto, tristeza, perda, separação, tudo aquilo que acontece com quem fica depois da partida de alguém. E ainda tinha os negativistas, os niilistas, os céticos, a me infernizarem com suas ladainhas do fim e do nada.

Eu teria tempo, precisaria de tempo para superar a ideia do luto, já que seria preciso fazer uma mudança cultural inevitável, pois ninguém de bom-senso vai negar que um dos maiores problemas nossos com os preconceitos e os falsos conceitos tem origem cultural, resultado da consciência sociológica que desenvolvemos. Eu disse consciência. (mais…)

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Pesar, dor, tristeza: quando aprenderemos?

As palavras mal ditas contaminam o significado e perpetuam o domínio da incoerência.

Natureza e morte são termos antagônicos na economia da vida, de tal modo que o primeiro não incorpora o segundo porque não existe morte na Natureza. A morte como destruição e ponto final é uma interpretação cultural, simbolismo criado para expressar o sentimento de impotência do ser ante os fenômenos da vida e do Universo. A flor quando perde sua vitalidade não está à morte, mas num ponto do ciclo de sua vida de transformações. O pássaro sem a energia vital parte para outro evento natural. Os corpos dos homens, sem o mesmo elemento vital, seguem semelhante ciclo e todos, flor, pássaro e corpos humanos, no curso das leis naturais, cumprem o mistério da libertação e deixam as essências imortais que os habitam livres para outras uniões. No ser humano, o espírito, liberto, segue impulsionado por sua história de conquistas e desafios, para mais tarde renascer e progredir sempre, pois, “tal é a lei”.

O espiritismo é doutrina de vida, valorizadora das leis que presidem a Natureza a demonstrar que a matéria e o espírito coexistem em regime esplêndido e harmonioso, sem, contudo, deixar de pôr à vista que o espírito se sobrepõe à matéria. O espírito é a inteligência que aviva a matéria, a matéria é o campo que permite ao espírito as experiências evolutivas. Ambos, espírito e matéria, existem antes e depois de sua união, mas a matéria sem o espírito é a flor sem vitalidade, o corpo sem inteligência, a máquina sem o motor. A matéria é perene em suas mutações, o espírito é imortal em sua aspiral evolutiva. (mais…)

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Sonho, utopia, realidade. As colônias espirituais em destaque

RESENHA

Crer por crer é desperdício. Não crer por não crer é estultice. Mas crer por saber é inteligente. Quando surgiu a primeira edição do livro Nosso lar, psicografia do Chico Xavier e autoria de André Luiz, fez-se um grande alvoroço no Brasil. A crítica marcou a obra como pura ficção, os leitores simples tomaram-se de encanto com a possibilidade de viver depois da morte em condições assemelhadas à vida na Terra, mas muitas lideranças espíritas se surpreenderam com as revelações e não tiveram receio de rejeitá-la, tendo por argumento principal a falta de informações na obra básica da codificação empreendida por Allan Kardec. As mais prudentes preferiram colocar o livro de molho e aguardar maiores confirmações.

O fato é que antes mesmo de Kardec o assunto entrou nas cogitações a partir de inúmeras obras apresentadas por médiuns de diversos matizes. Com Kardec, o assunto ganhou foros de possibilidade dadas ainda as pequenas, mas consistentes abordagens que ofereciam uma base lógica dessa realidade, acrescida de exemplos.

Após Kardec, lideranças representativas dos verdadeiros e dedicados estudiosos se reproduziram, convictas de que a vida no mundo espiritual não se dá simplesmente sobre a matéria fluídica imponderável, senão sob uma consistente base de solidez e planejamento, construção e organização social, de maneira que, se não possui as mesmas condições da vida material que o planeta Terra conhece, tem semelhanças com esta que, em certos casos, mais parecem ser uma extensão da vida material terrena. A informação, contudo, mais forte nos conduz a ver pelo lado contrário, ou seja, é a vida na Terra que se assemelha à espiritual, embora a semelhança seja, segundo dizem os espíritos, ainda bastante nebulosa. (mais…)

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Gasparetto: o médium dos pintores invisíveis

Gasparetto, apresentador de tv

Conheci-o no começo da década de 1970. Antes, havia conhecido seus pais, Zíbia e Aldo, que atuavam como expositores nos cursos da Federação Espírita do Estado de São Paulo, onde me matriculei com o desejo de aprofundar meus conhecimentos espíritas. Zíbia, na ocasião, já despontava com sua mediunidade psicográfica, tendo publicado dois livros: O amor venceu e O morro das ilusões. Já como integrante da equipe do jornal Correio Fraterno do ABC, recebi de Zíbia os direitos de publicação do livro Entre o amor e a guerra, que teve ali duas edições. Zíbia cancelou os direitos por conta da contrariedade que teve com uma crítica publicada no Correio, feita por especialista em literatura, apontando deficiências técnicas na obra. Nem a resenha publicada ao lado, exortando as qualidades do conteúdo do livro foi suficiente para demovê-la da decisão. A partir de então, Zíbia passou a publicar seus livros por sua própria editora.

Estive mais próximo de Luiz Antônio Gasparetto depois que Elsie Dubugras entregou-me a responsabilidade de planejar e publicar o livro Renoir, é você?, obra bilíngue português/inglês cujo título resultou de um programa de tv veiculado na Europa, programa este que teve ampla repercussão e foi reprisado inúmeras vezes, no qual Gasparetto produz telas mediúnicas com a assinatura do conhecido pintor francês. Durante o período de preparação do livro, acompanhei Gasparetto em diversas apresentações na cidade de São Paulo, testemunhando de perto o extraordinário fenômeno, bem como reunindo-me com ele e Elsie por inúmeras ocasiões. O livro Renoir, é você? foi o primeiro publicado sobre a produção mediúnica de Gasparetto, mas é muito pouco conhecido hoje e sequer consta da bibliografia do médium. É assinado por Elsie, Gasparetto e Espíritos que possuem obras reproduzidas no livro. (mais…)

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A prece do Salomão e o ensino de Kardec

O amigo Salomão Benchaya, de Porto Alegre, com seu artigo “Questão da prece” (texto abaixo) abre espaço para importante crítica da prece, ou seja, para ampla reflexão a respeito deste tema que tem movimentado os meios espíritas desde Kardec. Benchaya aponta para diversos problemas e faz algumas afirmações contundentes, a principal delas: “O Deus da primeira pergunta do LE não é o mesmo Deus referido no restante da codificação”.

Salomão exagerou? Sem dúvida.

Com o espiritismo, a prece deixou de ser uma simples questão de fé e mudou-se para o campo da razão, constituindo-se, pois, um objeto de conhecimento. A prece e tudo o mais que antes pertencia ao domínio da religião. Daí porque deve e pode ser discutida, analisada e aprofundada em seu conteúdo, como o faz o Benchaya. Todavia, trata-se de um tema muito mais complexo do que se imagina à primeira vista, porque envolve uma gama enorme de sub-questões que não podem ser negligenciadas.

Vamos, todavia, neste primeiro momento centrar nosso foco na afirmação de que o Deus da primeira questão de O livro dos espíritos chegou esgarçado ao final da codificação. É preciso recordar que Benchaya parte para esta conclusão após entender que Kardec apresenta em muitas partes da codificação um Deus teísta, enquanto que a primeira questão do Livro dos espíritos nos mostra um Deus deísta. Sim, no espiritismo, o Deísmo tem supremacia sobre o Teísmo, porquanto o primeiro insere a razão como proposta de conhecimento, enquanto que o segundo permanece no campo da crença que prescinde da razão. (mais…)

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Modos de ver o espiritismo

Carlos Vereza, um desastre – No que transformaram a doutrina! – A reportagem da vida – Colônias espirituais: afinal, ¿existen? – O Sr. Marketing

É verdade que na linha do sofisma há muitos espiritismos, sendo que o espiritismo da codificação e o espiritismo do movimento espírita é o mais visível – alguns acadêmicos entendem que o espiritismo real é o que nasce das práticas, não importa o que ensinem os postulados doutrinários. Ao seu lado, vigora o espiritismo popular, que soma o espiritismo das práticas com o entendimento que dele fazem os seus praticantes, o qual se expressa hoje, muito fortemente, nas redes sociais.

A bem da verdade, há apenas um espiritismo: o que está exposto na filosofia organizada por Allan Kardec e com base nessa ideia muitas lideranças expressivas defendem, com razão, que o espiritismo popular resulta de um só fato: ausência ou conhecimento impreciso da filosofia espírita.

Mas não se pode remar contra a maré o tempo todo, haja vista para o fato da presença diuturna das manifestações populares sob o guarda-chuva do logotipo espiritismo. Digo logotipo para enfatizar que a sua presença, nesse caso, é mera condição “mercadológica”, mero signo utilizado para dar força de marca ao que se diz ou se expressa. Visa, pois, direcionar a produção de significados, como se o que se escreve ou se expressa fosse de fato decorrente do ensinamento espírita. (mais…)

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Quando os espíritos puseram o bispo para correr

Nestes tempos bicudos, um pouco de humor não fará mal a ninguém.

O caso a seguir é narrado por Alexander Jenniard Du Dot, escritor católico defensor da proibição pela Igreja das sessões de mesas girante e crente de que os espíritos que apareciam nessas sessões eram os demônios. Para ele, há somente três tipos de espíritos: os anjos decaídos (demônios), os espíritos dos vivos e os espíritos dos mortos. Vivos não se manifestam a vivos, os mortos estão proibidos de manifestar, restam, pois, os demônios. O caso está registrado no livro O espiritismo, sua natureza, seus perigos, publicado em Portugal em fins de 1800 e é interpretado por Du Dot como prova das suas convicções, mas ficará melhor interpretado como fato probatório da existência e manifestação dos espíritos dos que viveram na Terra.

Vamos a ele.

“Cinco bispos de uma província reuniram-se em 1849, para tratarem de diferentes pontos de doutrina e de direito eclesiástico. No decorrer deste sínodo, como as mesas giratórias estavam em moda, e como as práticas espíritas, implicitamente proibidas pela Igreja, eram geralmente toleradas, os prelados quiseram experimentar por si próprios estas pretensas novidades. Colocaram-se em roda de uma mesa e obtiveram movimentos de rotação, e depois respostas por meio do pé da mesa. Suspeitando que eram demônios os espíritos que faziam mover a mesa, lembraram-se um dia de colocar em cima um rosário e um breviário; a mesa arrojou-os para longe com furor; depois, encarniçando-se muito especialmente contra o bispo da diocese, que era talvez o promotor dessas experiências, tomou a seu cargo expulsá-lo da sala, perseguindo-o até a porta, apesar da resistência que ele opunha. Sem dúvida, os cinco prelados não exigiam tantas provas. Apressaram-se a proibir, nas suas respectivas dioceses, o exercício da mesa girante, prática perigosa cujo caráter infernal lhes fora revelado por fatos tão brutais”.

Moral da história: quando você não puder com as mesas e não quiser estudá-las, proíba-as de virem perturbar os vivos.

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Congressos espíritas: a massa e o diálogo ausente

“Nenhuma fala monológica pode comunicar a um auditório algo com sucesso, se os ouvintes não têm condições de, ao menos potencialmente, tornarem-se parceiros dialógicos do falante” – Lúcia Santaella

Em um sistema perverso, como o prevalecente no planeta de forma geral, falar de justiça, ética e filosofia de vida são coisas do idealismo utópico, embora o idealismo utópico ainda alimente mentes e corações livres das peias dos sistemas. O pragmatismo nos impõe a ousar nas brechas do perverso sistema, para não deixar morrer as belas letras do sonho que alimenta a esperança de um futuro melhor. Lembra-me a insistente conversa de Chico Xavier, nos anos 1970, com o livreiro Stig Roland Ibsen, advertindo-lhe de que era preciso vender os livros com lucro sob pena de ver sua livraria as portas da falência. A fala de Chico era extensiva ao espiritismo brasileiro, especialmente àqueles que exerciam constante crítica aos valores desses mesmos livros e os comercializavam a preço de custo, dentro da ideia de torná-los mais acessíveis aos menos favorecidos socialmente.

Volto, pois, ao discurso da razão do que está por trás dos atuais congressos ditos espíritas, que implementam o sentido do espetáculo como forma de alcançar um grande número de pessoas, enchendo salões e corredores dos imensos espaços custosos previamente alugados para atrai-las. É o espetáculo, na sua formulação teórica, resultante da densa crítica de que a espetacularizacão esconde uma questão ética de fundamental importância, que é a justiça social. É ela uma das piores facetas de um sistema dominante pendular apenas em aparência, pois que impõe o permanente consumo de bens e serviços sob a capa da necessidade e do desejo de tornar feliz a estada provisória do ser no planeta. (mais…)

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Betsy, Betsy, por que te abandonaste?

Na década de 1980, tive um amigo que adquiriu a esclerose lateral amiotrófica. Aos 37 anos. Rapidamente, perdeu os movimentos e pouco mais de um ano depois morreu. Era pai de duas crianças, alegre, de convivência fácil. Quando a doença surgiu agressiva e o levou a afastar-se das atividades profissionais, ninguém ousava falar no assunto, senão em conversas de canto de sala. A rapidez com que progrediu e a morte também rápida deixou no ar um certo mistério, pois alguns alimentavam preconceitos contra doenças dessa ordem e preferiam o silêncio.

Agora vem o caso de Betsy. Estou diante de dois olhares diferentes a me encararem, questionando-me. O primeiro, nem tanto, uma vez que Carlos Augusto tem opinião definida como niilista que é. Seu questionamento é mais o desafio que me lança sobre a tal da imortalidade que defendo. É como se me perguntasse: – e aí o que você tem a dizer agora? Já o olhar de Orlando é o da dúvida, ou melhor, das muitas dúvidas que alimenta sobre a atitude de Betsy e o desfecho espiritual gerado por sua decisão de praticar a eutanásia e abreviar o sofrimento causado pela doença. É como se Orlando me perguntasse: – se eu tomar essa atitude, o que será de mim como ser imortal que sou? (mais…)

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Os guardiães dos apriscos do templo

Federação Espírita de Goiás: orador chega para fazer palestra e encontra as portas fechadas. Indignados, promotores do evento recorrem a outra instituição para manter o programa. Fatos revelam covardia, desrespeito e tudo o mais que a boa moral condena.

A fraqueza humana é capaz de conduzir o indivíduo às mais desprezíveis ações. Debalde o homem desse jaez lutará para mostrar-se digno da moral espírita, porque não conseguirá superar as próprias imperfeições enquanto não se oferecer à práxis cotidiana com a coragem dos estoicos. O homem fraco e desprezível, envolto pela embalagem do espiritismo e no comando das atividades espíritas, poderá ser luzidia e colorida imagem, mas nunca será um verdadeiro homem de bem.

Minha indignação provém da minha incapacidade de assistir aos atos indignos praticados por seres humanos, com acento ainda mais agudo quando esses homens coexistem no mesmo meio doutrinário no qual me coloco. Admiravelmente, o invejável Leon Denis afirma que a tudo podemos suportar desde que não sejam ultrapassados os limites da dignidade humana. A dignidade é o pórtico humano do inatacável, a muralha inexpugnável do direito e da vida. Ao contrário da realidade constatada por Herculano Pires na frase que dá título a este artigo. Sim, o inesquecível amigo não fala, na frase, de um passado que o espiritismo ajuda a superar, mas de uma realidade que se mostra exatamente no contexto social de hoje, onde muitos espíritas operam e farisaicamente sorriem. (mais…)

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Significados e significantes importam. Mas as significações são definitivas

Se um significante jamais oferece apenas um significado possível, porque isso seria a literalidade aprisionante dos sentidos, então, o que Chico Xavier quis dizer com a expressão “o telefone só toca de lá para cá”?

Vê-se aqui e ali a repetição da frase expressa pelo médium mineiro como uma condenação explícita e direta ao desejo de chamar a atenção de espíritos e obter deles mensagens, isto é, conselhos, informações, desejos e conhecimento de seus conflitos no contexto da vida em que se situam. Em uma palavra: condenação da evocação dos espíritos, pois, dizem, se há quem possa decidir se tem ou não condições de dialogar com os encarnados seriam eles, os desencarnados. Oh Deus, quanto engano se comete quando a literalidade aprisiona a significação!

Quando isso ocorre, ou seja, quando se afirma que Chico proíbe que se façam evocações se está atribuindo ao significante – “o telefone toca de lá para cá” – apenas um e único significado que se pode, em mau português, chamar de significado semântico. Ora, digam-me, senhores, qual é o significante que possui um único e preciso significado? Que não se oferece às significações de tantas quantas mentes dele façam uso?

Ah, sim, há médiuns que fazem promessas de ouvir os espíritos que a pessoa deseja; há pessoas que querem ouvir dos espíritos coisas que eles, espíritos, não sabem; há lugares que estranhamente ensinam como os médiuns entram em contato com espíritos familiares; há outras pessoas que querem resolver o vazio da separação de filhos, maridos e esposas mortas conversando com eles sobre, talvez, as miudezas da vida familiar. Sim, há tudo isso e muito mais perfeitamente criticável. Ora, nenhuma definição literal resolverá o problema que pertence ao campo da educação, então, vamos fazer o esforço de educar para que a significação possa substituir a literalidade dos sentidos e, assim, resolver os problemas da individualidade diante da vida. (mais…)

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USE-70, caminhos e desafios

Em dezembro de 2015, publiquei aqui em meu blog uma análise do livro dos 50 anos da USE, com alguns apontamentos necessários. Agora, quero recuperar certos fatos que me parecem importantes por sua função interligadora na história do Espiritismo. Refiro-me às fontes das ideias que deram origem ao desejo de organizar estruturalmente o movimento em torno da doutrina espírita na sociedade, ideias que desembocaram na fundação de associações federativas, no Brasil, especialmente, mas também no Exterior.

Ninguém há de negar que o Projeto 1868, elaborado e publicado por Allan Kardec na revista espírita de dezembro daquele ano, constitui-se em fonte de orientação para a formação de sociedades espíritas do tipo centros ou federativas. Ali estão as reflexões e as sugestões que o codificador oferece, dentro das preocupações que o dominavam em relação ao futuro do Espiritismo. Kardec apresenta elementos gerais, mas também chega a detalhar minúcias dos procedimentos no entendimento de que a forma muitas vezes se torna necessária à concretização efetiva do conteúdo. (mais…)

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Alguns médiuns se traem muito cedo, outros levam mais tempo. Poucos resistem até o fim

 

A pergunta é: por que certas pessoas fazem afirmações tão estranhas e contraditórias como essa ao lado publicada recentemente no Facebook? O que pretendem com isso? Qual é o grau de comprometimento efetivo delas para com o espiritismo? Trata-se de um deslize momentâneo ou de uma terrível necessidade de se mostrar livre e independente, instruído e capaz de promover mudanças numa doutrina tão extraordinária como a espírita?

Não, ninguém está amordaçado nem impedido de expressar suas opiniões sobre a doutrina, sejam quais sejam. Absolutamente. Faça-o, porém, com seriedade e demonstre por a+b onde e quando a doutrina está equivocada, envelhecida, ultrapassada. Depois, assine embaixo e coloque-se no campo dos conflitos, onde o contraditório necessariamente surgirá.

Não jogue com o espiritismo, não seja uma criança diante do desconhecido, não queira parecer moderninho, nem ser mais do que é, respeite a inteligência das pessoas. Acusar a doutrina de chata e velha é reação da mais absoluta infantilidade de alguém que anda à caça de sucesso barato. Só isso para compreender um ato tão leviano. (mais…)

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A Gênese: provas confirmam que Kardec não fez as mudanças contidas na 5ª edição francesa

Por mais que os defensores da 5ª edição francesa de A gênese, os milagres e as predições, procurem inverter o ônus da prova e aleguem que não existem evidências de que as modificações em relação às edições anteriores, 1ª a 4ª, não foram feitas por Kardec, os fatos comprovam exatamente o contrário.

Isso fica medianamente claro após os estudos e pesquisas realizados por Simoni Privato Goidanich, reunidos em seu livro – O legado de Allan Kardec – escrito originalmente em espanhol, agora traduzido para o português e publicado pela USE de São Paulo. O seminário promovido também pela USE, neste domingo, 4 de março, na capital paulista, intitulado A Gênese, o resgate histórico, serviu para confirmar tudo aquilo que a autora havia coligido, estudado e reunido em seu livro, mas acabou por revelar inúmeros outros envolvimentos no assunto, de igual importância.

A questão é seríssima e antiga. Apareceu de forma clara 12 anos após o lançamento da 5ª edição de A gênese, lançamento este ocorrido em 1872, três anos após a morte de Allan Kardec. E apareceu pela ação firme de Henri Sausse, com o apoio de Gabriel Delanne e Leon Denis, três nomes da mais alta consideração do espiritismo francês e mundial.  A edição de 1872, a 5ª, foi considerada a definitiva e passou a servir de base para as diversas traduções que se fizeram mundo afora, inclusive no Brasil, daí a sua importância.

Henri Sausse assustou-se quando percebeu os fatos. Publicou um vigoroso artigo no jornal O Espiritismo, da União Espírita Francesa, denunciando a adulteração e elencando as mudanças de textos, as supressões e as indevidas inclusões. Os autores desta infeliz façanha, Jean Leymarie à frente, jamais puderam comprovar que foi Allan Kardec quem promoveu as alterações, apesar das ameaças feitas a Sausse, inclusive de o levar às barras do tribunal. (mais…)

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Divaldo, Chico, direita e esquerda. Onde está o centro?

Para o espiritismo, como de resto para a sociedade em que a liberdade de pensamento e expressão é garantida constitucionalmente, não há cidadão imune à responsabilidade pelas suas opiniões.

 Quando o manifesto crítico a Divaldo Franco apareceu na lista da Abrade, afirmei que eu também assinaria embaixo. A questão, para mim, está clara: as opiniões exaradas pelo médium na entrevista que deu origem ao manifesto são absurdas do ponto de vista do bom senso que caracteriza a racionalidade espírita. Pouco importa assinalar se o manifesto contém pontos convergentes e divergentes, pois raros são os discursos críticos de qualquer natureza que não esbarram neste aspecto. O que é relevante é o fato de que é preciso colocar em discussão as opiniões, de quem quer que seja, quando estas ferem os princípios elementares do bom senso e da lógica que caracterizam a doutrina espírita, em especial, quando essas opiniões pertencem a líderes de expressão, como é o caso presente de Divaldo Franco, aqui, pelas repercussões elevadas à potência máxima que geram. Ora, o que está no foco das atenções é o conhecimento e suas interpretações, coerentes ou não, que repercutem na sociedade, na eterna dualidade do bem e do mal, do certo e do errado, da verdade e da mentira. Ao direito de opinião se opõe o direito da discordância, que mais não é que direito de opinião também. A liberdade de pensamento e expressão emerge das conquistas do ser ao longo de suas múltiplas experiências no corpo físico e se insere entre os direitos supremos, inalienáveis, como ensina Kardec.

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O AMIGO E O LAÇO

(Dedicado ao CPDoc, neste ano 30 de sua existência)

Se cais, caímos todos os que miramos tua força.

Se levantas, nos enchemos de energia todos os que conhecemos tua capacidade.

Se estacionas, paramos juntos todos os que te amam.

Se prossegues, caminhamos ao teu lado todos nós que admiramos.

Se cansas, apontas para nós que há esgotamento.

Se fortaleces, somos capazes de animar.

Tudo o que és somos sempre, porque iguais.

Tudo o que fazes, fazemos também, porque em ti encontramos aquilo que por nós estamos a construir.

És o amigo, aquele que tem a força dos heróis e as fraquezas dos sonhadores. Não sabes, mas és nossa esperança e nossa certeza. Quedas não te fazem menor nem menos farol para nós, porque sabemos que logo após te ergues.

Há entre nós o laço, da matéria plástica extraordinária do afeto do universo. Estica e enfraquece sem jamais romper.

Se te vais e à distância te pões, sofremos, em vigília permanente no tempo do espaço. Consola-nos a certeza do reencontro, ali ou lá na frente.

Tens a eternidade gravada em ti. Temos a consciência velando por nós.

Vivamos.

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Quem é a vítima?

Desconfio sempre desses artigos de opinião genéricos e ao mesmo tempo insinuantes, aos quais falta a coragem do homem de bem e a franqueza do homem justo. E o artigo assinado pelo Marco Milani publicado pelo Correio Fraterno (do ABC), edição no 477 de setembro/outubro de 2017 se insere na relação desses artigos. Confesso que não sei ao que ele veio, mas desconfio que se destina a alvos determinados, mas não colocados às claras. E isso é muito ruim.

Seja quem e o que seja que motivou o autor do artigo a escrever, o fato é que ao utilizar a técnica da generalidade Marco Milani se coloca na mesma condição da possível vítima. E como vítima, age sem a devida franqueza, incorrendo em faltas ainda mais graves. O medo de ser franco é sinônimo de falta de coragem, contrário ao sim, sim e ao não, não de Jesus. (mais…)

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50 anos do Correio Fraterno (do ABC) – o que a história não conta

Entre o nepotismo e a exaltação da figura paterna foi deixada uma lacuna de muitos braços, mãos e cérebros que construíram a obra.

Logo criado em 1980 e utilizado até hoje. A ideia e a execução foram de um profissional da publicidade em São Paulo.

O Correio Fraterno (do ABC) publica em sua atual edição (no 477, setembro/outubro de 2017) reportagem-entrevista de capa assinada pela jornalista Eliana Haddad, com o título “50 anos de espiritismo do Correio Fraterno”. As entrevistas ocupam as páginas 4 e 5, e a reportagem está nas páginas centrais 8 e 9. São, portanto, quatro páginas do jornal tabloide ou ¼ de suas páginas destinadas a colocar para o leitor o resumo de uma história de 50 anos. Mas sua leitura deixa à mostra uma verdade: o resumo ao invés de revelar a história, esconde-a. Em primeiro lugar, cuida de exaltar a figura paterna e a da filha numa entrevista em que a obra perde lugar para apenas duas pessoas. Veja-se o seu título: “De pai para filha”. Um nepotismo clássico e uma ideia capitalista de sucessão como se o jornal e a editora fossem objeto de herança. Nepotismo porque os entrevistados não são apenas pai e filha; Izabel Vitusso é (mais…)

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Os perigos da fama – muito mais do que 15 minutos

Os fatores de risco do sucesso estão presentes na construção do mito, mas poucos são capazes de subtrair a eles ou de os considerar com a devida atenção. Por que? Isso é coisa para se analisar com carinho.

O movimento espírita – entenda aí os espíritas – entraram num ritmo frenético de produção de mitos desde que Chico Xavier partiu em 2002, antes que o silêncio das arquibancadas caísse sobre a seleção brasileira de futebol. Chico estava a caminho do centenário no corpo físico, mas a coletividade espírita como um todo esperava que ele se tornasse uma espécie de personagem bíblico que não morre antes dos 150 anos. Como se viu, foi em vão, apesar da surpresa que a morte causou.

O mito Chico, porém, ganhou forças com a ausência do espírito, de modo que continua aí plainando sobre as cabeças coroadas dos reencarnacionistas com ideias fixas de vidas anteriores e esperança vã de um futuro na imortalidade amparado pelo extraordinário médium mineiro. Os amigos do rei mantêm a chama com o combustível moldado pela ilusão, (mais…)

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Entre traças, poeira e páginas rotas

Por diferentes vias e de diversas maneiras, chegaram-me às mãos ao longo dos últimos 50 anos uma quantidade considerável de livros, revistas e documentos importantes para a história do espiritismo, livros em boa parte esgotados e alguns até mesmo ignorados do público, bem como as referidas revistas. Dei início à publicação das respectivas resenhas com o trabalho sobre a Revista Metapsíquica, como forma de desincumbir-me deste que considero um compromisso público, uma vez que formo entre aqueles que entendem que nada que seja de interesse público pode ficar retido sob a rubrica de patrimônio particular; que tudo deve ser disponibilizado, aberta e livremente, ao conhecimento da sociedade, pois que, no fim das contas, a ela de fato pertence. Na sequência, dei conhecimento de outra revista – Verdade e Luz – e, após, iniciei a publicação em separado de resenhas mais extensas de alguns livros cuja importância pedia um destaque especial. Agora, aqui, faço a conclusão do trabalho, publicando sobre aqueles documentos que, de maior ou menor interesse, guardam todos eles a oportunidade de esclarecer, informar ou enriquecer este ou aquele estudioso e pesquisador. Todos estes livros estarão à disposição dos interessados, uma vez que ficarão sob a guarda da Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires, que, certamente, os disponibilizará ao público. A coleção inteira, contudo, dos textos publicados, poderá ser encontrada aqui, neste blog, na página DOCUMENTOS e suas consequentes subpáginas: Revista Ilustração Espírita, Revista Metapsíquica, Revista Verdade e Luz, Opúsculos raros e Livros raros 


O espiritismo, sua natureza, seus perigos – Alexander Jenniard Du Dot, o autor, era em sua época uma espécie de Padre Quevedo dos católicos, ou seja, trabalhou muito para “compreender” os fatos espíritas à luz do catolicismo e de uma visão da ciência um tanto estrábica. Ele afirma sem medo que à frente da ciência de seu tempo (nasceu em 1840 e este livro data do final daquele século) “nós pomos o catecismo”. (mais…)

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Marx e Kardec, materialismo e espiritismo

Espiritismo e Socialismo estão unidos por laços estreitos, visto que um oferece ao outro o que lhe falta a mais, isto é, o elemento de sabedoria, de justiça, de ponderação, as altas verdades e o nobre ideal sem o qual corre ele o risco de permanecer impotente ou de mergulhar na escuridão da anarquia. Léon Denis

 O socialismo de Denis foi classificado como idealista, uma maneira de ver que em princípio não combina com a dura realidade na qual a vida em sociedade se manifesta e desenvolve. Desde a eclosão das ideias socialistas, com Marx, às experiências de implantação de regimes políticos e econômicos marcados pelo fundamento socialista, que se discute a questão. No espiritismo não foi diferente e aqui está um exemplo de contenda em que as ideias se chocam e se distanciam até se encontrarem nas pontas, na irrefreável leveza da física.

Os espíritas e as questões sociais – em sua edição primeira, feita em 1955 em Niterói, RJ, este livro reúne artigos publicados na imprensa por dois conhecidos espíritas: Eusínio Lavigne, advogado e empresário de Ilhéus, BA, e Sousa do Prado, ex-membro da Federação Espírita Brasileira. Trata-se de um grande debate que teve início quando a Revista Internacional de Espiritismo, de Matão, recusou-se a publicar um artigo de Lavigne em resposta a outro, que saiu em suas colunas na edição de setembro de 1950, intitulado “Pela vitória do espírito” e assinado por Pereira Guedes, cujo conteúdo analisava o livro Materialismo dialético e materialismo histórico, de José Stalin. Lavigne procurou, então, o Jornal de Debates, onde encontrou guarida e por vários meses expôs seus argumentos sobre a teoria marxista, o socialismo e as conexões com o espiritismo, além de, ao defender o marxismo, deixar claro que o fazia ao que de científico ele continha e não à sua condição materialista contrária ao fundamento espiritual da doutrina de Kardec. (mais…)

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Ismael, um Anjo na FEB

A trajetória de um destacado grupo mediúnico e as polêmicas em torno das raízes místicas do espiritismo no Brasil podem ser vistas pelas palavras dos próprios personagens centrais da história.

 Livro:

Trabalhos do Grupo Ismael da Federação Espírita Brasileira (1941)

Autor: Guillon Ribeiro, Ed. FEB

Página de rosto do livro com o autógrafo do ex-presidente da FEB, Francisco Thiesen.

A história do Grupo Ismael está registrada neste livro a partir da reprodução de um trabalho desenvolvido por Pedro Richard e publicado 40 anos antes, ou seja, em 1901, nas páginas do Reformador, da FEB. Embora o livro se destine a transcrever e comentar as mensagens recebidas pelos médiuns do grupo no período de julho de 1939 a dezembro de 1940, Guillon Ribeiro aproveita da oportunidade para destacar este histórico como forma de fixar aquelas que julga serem importantes contribuições ao espiritismo brasileiro, sendo, porém, certo que elas estão circunstancialmente presas ao contexto de crenças onde a FEB localizou-se.

Sob este aspecto, o texto de Richard é também um daqueles instrumentos que permitem avaliar as condições das práticas mediúnicas, antevistas por Allan Kardec em O livro dos médiuns, em que as influências do meio recaem sobre os médiuns e das quais quase sempre não é possível fugir. O clima psicológico e espiritual do grupo é de crença absoluta na sua importância enquanto conjunto de seres especialmente destacados pela espiritualidade superior para levar avante uma tarefa de semeadura da doutrina espírita, bem como de sua condução pelos tempos futuros. Trata-se, sem dúvida, para os líderes do grupo, de um mandato divino e único, ou seja, declaradamente não há dois grupos com as mesmas atribuições, nem dentro da FEB, à qual o grupo se subordina a partir de determinado momento, nem fora da FEB, por mais que houvesse instituições respeitáveis alhures. (mais…)

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Cosme Mariño e sua importância para o espiritismo na Argentina

Mariño foi presenteado com o título de “o Kardec argentino” e o livro a seguir, por ele escrito, revela sua atuação e o desenvolvimento da doutrina em terras portenhas.

El espiritismo em la Argentina (1963) – Cosme Mariño – Esta edição é, na verdade, a 2ª edição, e vem acrescida de um Apêndice antecedido por uma Nota explicativa, que estende o período histórico abordado por Mariño correspondente aos anos 1870-1923 para até 1932. O autor do texto do Apêndice não é mencionado. O prefácio feito para esta edição é assinado por Carlos Luis Chiesa, presidente da Associação Espírita Constancia. Mariño deixou o corpo físico em 1927, aos 80 anos e é considerado um dos maiores defensores do espiritismo na Argentina. Neste seu livro, relata ele os fatos que viveu diretamente, que presenciou ou de que tomou conhecimento durante os quase 50 anos em que viveu na defesa e divulgação do espiritismo, cujo marco inicial foi o ano de 1879, (mais…)

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Inovação, ocupação parcial de espaço ou simplesmente um novo rótulo?

A propósito de um artigo do meu amigo Cesar Perri, intitulado “Congresso dos 70 anos da USE – Inovação das “rodas de conversa”, que foi posto ontem, 21 de junho de 2017, em circulação na rede digital, volto ao assunto que já externei aqui, em março de 2016, quando a notícia do evento circulou pela primeira vez e sobre a qual recebi opiniões e e-mails prós e contra. Perri refere-se ao espaço denominado Roda de Conversa, para o qual a coordenação do congresso destinou quatro horas divididas em dois períodos de duas horas cada, sendo três temas a serem debatidos simultaneamente em cada período e a mesa contando com um moderador e dois debatedores, conforme programação já divulgada. A questão colocada é, de um lado, se isso de fato é inovação e, de outro, se atende às reclamações justas por espaço de livre manifestação do pensamento, a exemplo do que ocorre nos congressos onde o conhecimento é colocado como meta principal?

O título dado a este “novo” espaço é bonito – Rodas de Conversa – mas é preciso convir que tal título é apenas outro rótulo (mais…)

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Sob duas sombras: a história e o invisível

O RESGATE DO WERNECK


 Eis aí um líder que só aceitava a liderança de alguém que possuísse as características do grande líder. Allan Kardec foi um deles. Tornou-se um espírita tardio e dos poucos que, nestas alturas da vida, logrou penetrar com rara lucidez no abrangente conteúdo do mestre lionês.

 “A minha alma não é propriedade do Estado, nem das seitas. Tenho sobre ela jurisdição absoluta. Não tolero que a guiem contra a minha vontade. Hei de salvá-la eu mesmo, ou ela estará perdida. A menos que forças, livremente aceitas, lhe mudem a direção, ela resistirá aos decretos emanados do poder humano”.

Publicado em 1923, este livro tornou-se verdadeira raridade e o museu que leva o nome do autor dispõe de apenas um exemplar.

Essa feliz e comovente declaração faz parte da profissão de fé contida no livro Um punhado de verdades, livro escrito por Américo Werneck e publicado em 1923, no Rio de Janeiro. E quem era Américo Werneck? Quando me presenteou com o exemplar desse livro em 1981, meu amigo Francisco Klörs Werneck, o grande tradutor das obras de Ernesto Bozzano para o português, me disse em bilhete separado: “Meu tio Américo Werneck, engenheiro civil, deputado estadual pelo estado do Rio, foi convidado pelo presidente do estado de Minas Gerais, Silviano Brandão, para ocupar o cargo de Secretário de Agricultura, Viação, Obras Públicas, Indústria e Comércio, que aceitou. Foi construtor de Lambari e prefeito interino de Belo Horizonte. Em Lambari, a rua principal tem o seu nome e o seu busto. Famoso pelo seu trabalho em Minas Gerais, como o seu primo dr. Hugo Werneck”. Até aí, muito pouco. Alguma coisa sobre a participação política dele e nada sobre o espiritismo. É que não havia tempo na ocasião para as devidas ampliações, pois, quando (mais…)

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O que tem a ver entre si estes três personagens da história brasileira?

ARNALDO VIEIRA DE CARVALHO, HORÁCIO DE CARVALHO E CAIRBAR SCHUTEL

 Nada os ligaria, em princípio, não fosse um detalhe: Arnaldo Vieira de Carvalho teria dado duas mensagens dias após sua desencarnação e foram ambas recebidas no círculo mediúnico de Cairbar Schutel, em Matão. E Horácio de Carvalho era amigo de Arnaldo, conhecia Cairbar e estudava o hipnotismo e o espiritismo. Isso tudo os uniu numa apreciação crítica das mensagens atribuídas a Arnaldo que o Horácio fez e encaminhou, em formato de livro, a Cairbar Schutel. Quase 100 anos depois podemos retomar o fato como uma parte importante da história do espiritismo no Brasil.

À esquerda em preto e branco a capa e à direita a cores a página de rosto. Um livro singular datado de 1920 e todo feito a mão.

 ESPIRITISMO. Análise de duas mensagens atribuídas a Arnaldo Vieira de Carvalho – livro de exemplar único, em escrita manual, datado de 1920, de autoria de Horácio de Carvalho, dedicado a Cairbar Schutel com a seguinte mensagem: “Ao prezado amigo e ilustre jornalista espírita, homenagem de Horácio de Carvalho”. Contém a análise, feita por Horácio, de duas mensagens recebidas mediunicamente no grupo de Cairbar Schutel em Matão, assinadas por Arnaldo Vieira de Carvalho, a primeira delas dois dias após a desencarnação do conhecido médico em São Paulo, e a segunda sete dias após. (mais…)

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A polêmica pureza doutrinária – um viés

A Dora Incontri me provoca questionando se não quero entrar na polêmica da pureza doutrinária, um fenômeno tão antigo quanto o trabalho de Kardec, basta ver as edições da Revista Espírita ainda ao tempo da direção do codificador. Mas tem ela passado ao longo do tempo por mudanças pontuais devido, especialmente, à cultura predominante em cada época, pois, como se sabe, o fenômeno cultural sofre um processo contínuo de mudanças, como é de sua natureza, e muda mais acentuadamente ao passo que as tecnologias e o conhecimento se modificam. Na era digital em que vivemos, as mudanças correm frenéticas, e com elas o modo como o pensamento se comporta. (mais…)

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Tendência histórica da FEB de deturpação de livros produz novas vítimas

É de estarrecer. Federação Espírita Brasileira é denunciada agora por deturpar obras psicografadas por Chico Xavier e Waldo Vieira.

Alguém disse alhures que a tradução de Guillon Ribeiro, ex-presidente da FEB, para as obras de Roustaing é melhor do que o original. Ironia ou não, já as referidas obras sofreram acusações de mudanças e supressões por conta dos editores febianos. É dessa maneira que, historicamente, a instituição que dirige o movimento espírita brasileiro dito oficial é acusada por ações semelhantes, fato também ocorrido em outras ocasiões, como no caso do livro famoso Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho, no qual as deturpações se deram por conta da introdução de partes favoráveis a Roustaing, em especial. Coincidentemente, os originais da psicografia de Chico Xavier do referido livro jamais vieram a público, apesar de insistentemente solicitado por diversos críticos. (mais…)

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A história em pequenos textos

A presente publicação constitui a penúltima etapa de um projeto de divulgação do material que colecionei – livros, revistas e opúsculos, bem como documentos importantes da história do espiritismo – visando disponibilizá-los aos pesquisadores, estudiosos e até mesmo aos curiosos dos fatos espíritas. Apresento 35 opúsculos publicados durante o século XX, alguns bem no começo desse século – escritos na maioria por espíritas de considerável expressão do pensamento doutrinário ou que se tornaram líderes locais e nacionais. Entre eles estão Deolindo Amorim, Leopoldo Machado, Cairbar Schutel, Edgard Armond e  Jaci Regis. Alguns dos opúsculos estão disponíveis na Internet e para tanto ofereço o link para leitura e download; boa parte, contudo, não está com seu conteúdo à mão ou são desconhecidos de grande parte do público, de modo que para os ler os interessados deverão aguardar a respectiva digitalização. A próxima etapa – a última – vai disponibilizar inúmeras obras espíritas hoje fora de catálogo e em grande parte desconhecidas da maioria. Clique para ler

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A Verdade é a Luz

A segunda época da revista Verdade e Luz, hoje praticamente esquecida, ajuda a recuperar parte importante da história do Espiritismo e a corrigir enganos cometidos na biografia do extraordinário espírita conhecido por Batuíra.

O jornal Verdade e Luz, fundado em São Paulo no final do século XIX pelo português Antonio Gonçalves da Silva, apelidado de Batuíra, teve uma vida e uma história considerável, dividida em duas partes: a primeira época, em que a publicação começou como jornal e quase ao final desse período transformou-se em revista, e a segunda época, quando retornou à circulação após um período de interrupção, como revista de boa qualidade. É desta segunda época que vamos falar, uma vez que ela se encontra esquecida e não conta com registros capazes de serem compulsados pelos pesquisadores e historiadores.

Tenho em mãos 36 exemplares da revista Verdade e Luz, segunda época, correspondendo aos anos 1922, quando foi retomada depois de quatro anos sem circular, até 1926. Tudo indica que saiu do cenário ao final de 1926 e não mais retornou. Seu diretor, Pedro Lameira de Andrade, após esse ano, seguiu como presidente da Instituição Verdade e Luz até a data de sua desencarnação, ocorrida em 1937. Leia mais

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A Metapsíquica de Canuto de Abreu

No período de maio de 1936 a janeiro de 1937 (datas estimadas, carecendo de comprovação definitiva) a Sociedade Metapsíquica de São Paulo publicou uma revista no formato 16 x 23 cm, em preto e branco tanto na capa como no miolo. A direção esteve a cargo do membro da Sociedade, Canuto de Abreu, hoje reconhecido por seus livros, pesquisas e, especialmente, pela posse de documentos valiosos sobre Allan Kardec obtidos diretamente na França pouco antes da eclosão da segunda guerra mundial, em Paris. Canuto era advogado e médico homeopata, além de formado em Farmácia.

Possuo quatro dos cinco números dessa revista, menos o exemplar de número 1. A publicação saía bimestralmente com material assinado por articulistas reconhecidos e foi nesta revista que Canuto de Abreu deu início a série de artigos sobre Bezerra de Menezes, que depois foi reunida em livro. Além de dirigir e escrever, Canuto de Abreu (mais…)

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Sinapses, neurônios e arquivos da memória espírita

Ao comentar uma das funções das imagens, Jacques Aumont informa que elas provocam a abertura de arquivos da memória, fato que permite o seu reconhecimento através da identificação dos elementos que as imagens contêm pela comparação entre o que está registrado na memória e o que é apresentado pelas imagens. Trata-se de um fenômeno simples e ao mesmo tempo extraordinário porque complexo, que se realiza ao contato do observador com o objeto na rapidez com que os sentidos conduzem silenciosamente ao cérebro os estímulos, provocando a abertura dos arquivos da memória e devolvendo imediatamente à consciência os registros ali presentes, que permitem ao indivíduo realizar a identificação e o reconhecimento, não dos significados da imagem, mas dos seus elementos constituintes. (mais…)

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Notas para notar

A semana começa com alguns destaques sobre os quais vale a pena refletir: 1) os jovens britânicos que não querem ter filhos e buscam o caminho da esterilização; 2) os brasileiros com doenças raras que, desenganados, enganaram a morte; 3) e a pesquisa tida como condenatória dos refrigerantes diet, mas que não é conclusiva.

Não aos filhos

Esterilização, esse é o caminho que tem sido escolhido por jovens britânicos que não desejam ter filhos. As razões são diversas vão desde a liberdade para atuar sexualmente sem preocupações até a existência de doenças hereditárias, cujos portadores não desejam passar adiante. (mais…)

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Uma obra social digna

Aqui em Recife, várias obras sociais criadas e dirigidas por espíritas são realmente dignas de admiração. Tenho particular afeição pelo Lar Paulo de Tarso, localizado no Bairro do Ipsep. É uma casa simples com capacidade de abrigar até 15 crianças, que ali chegam por meio de um convênio com o Juizado da Infância e Juventude. A direção e manutenção do Lar tem na sua liderança o casal Glauce e Gezsler, dois amigos do coração, incansáveis, dedicados e afetuosos.

O Lar é uma casa de passagem, onde crianças em situação de risco são abrigadas e preparadas para o retorno ao lar de origem ou são entregues para adoção, razão pela qual não permanecem longos períodos no local, a não ser em situações excepcionais. O trabalho de preparação dessas crianças movimenta uma rede considerável de pessoas e profissionais e possui como fundamento de orientação o alicerce da doutrina espírita.

Para os interessados em conhecer melhor o trabalho dessa digna instituição de caráter assistencial, aqui vai o link da apostila recém-publicada, intitulada “Lar Paulo de Tarso, um oásis de esperança” 

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Dora Incontri e o Chico de todos

doraDe repente, o artigo O lado cinzento da mediunidade no espiritismo contemporâneo, começou a produzir aqui no blog uma nova série de opiniões, como se redescoberto assim do nada. Afinal, já faz alguns meses que o dei à luz. Até que descubro que a fonte é minha querida amiga Dora Incontri e seu prestígio comprovado pelas páginas do Facebook, onde fez reaparecer o assunto.

O interessante é a quantidade de opiniões que a republicação despertou, como pode ser visto no link abaixo, deixando à mostra a diversidade das reações e das posições. Para quem gosta do assunto ou do estudo dele, convido a clicar e participar.

Fonte: Dora Incontri – Como sempre, Wilson Garcia, escrevendo com sua…

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Um convite para o futuro

Assista ao vídeo de lançamento do DVD HERCULANO PIRES, um convite para o futuro. Clique na imagem. Para adquirir o vídeo, dirija-se às melhores livrarias do país.

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A morte da liberdade é a morte do Homem

LiberdadeDe Leon Denis a Herculano Pires, a ideia de liberdade acompanha a do progresso ou do fracasso do Espiritismo enquanto movimento e vida. Ambos defendem que o futuro da doutrina se encontra nas mãos dos seres que a dirigem, pois é com a liberdade sagrada de pensar e agir que o homem põe e impõe sua direção.

A noção de liberdade que os dois filósofos ensinam nasce dos sulcos feitos na terra da reflexão espírita que Kardec desbravou, ao fazer surgir o espírito antecedente ao corpo e a este posterior. Estava ele contido nas nuvens tardias do nada e tornou-se, então, palpável a todos os olhares agudos. (mais…)

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Congressos espíritas: espaço público de conhecimento ou conhecimento público do espaço?

Há muito se sabe que os congressos espíritas, salvo raras exceções, se tornaram eventos muito mais para dar satisfação ao público da existência da doutrina do que para se tornar um espaço público de produção de conhecimento.

Nesse ponto, a história tem sido cruel com os espíritas. Se alguém deseja estudar, pesquisar e produzir ou o fará por sua própria conta e risco ou deverá desistir. As instituições espíritas, que se autoproclamaram coordenadoras do espaço público, sonegam em seus eventos qualquer possibilidade de apresentação de novos trabalhos, incorrendo em duro desestímulo para com os interessados.

A FEB, que se transformou na mais forte defensora da coordenação desse espaço público, tradicionalmente negou os congressos espíritas. (mais…)

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Deolindo e os diversos espiritismos

Opinião*, a pílula do Dr. Ross do jornalismo espírita, republica em sua edição de jan./fev. 2016 interessante artigo do saudoso e respeitável Deolindo Amorim, intitulado “Desunião e divergência”. Ali está todo o espírito conciliador, dialógico e acima de tudo humanista do grande amigo baiano de nascimento e carioca por opção.

A essência do artigo está centrada na percepção de que as divergências não podem ser argumento para a desunião e o diálogo é o fundamento das relações humanas. Era o que fazia e vivia Deolindo.

O último parágrafo do texto deoliniano permite, contudo, exercer aquilo mesmo que transparece dos seus argumentos, isto é, divergir. Ali, Deolindo afirma que as divergências que estão no interior do movimento espírita desde o seu surgimento não quebraram a “unidade doutrinária, que é fundamental” (sic). (mais…)

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De repente se descobre que a mensagem mediúnica é de péssima qualidade. De quem é a culpa?

As mensagens mediúnicas têm um tripé formado pelo espírito intencional, o médium interpretante e a mensagem final. Na impossibilidade real de haver um médium perfeito, capaz de recolher a mensagem na sua fonte sem nenhum tipo de influência sua sobre essa mensagem, a análise se apresenta como necessária quando se trata de considerar o valor da mensagem. Acrescente-se a noção kardequiana do Espírito, como sendo aquele que tem seus conhecimentos limitados à sua evolução.

As partes presentes no tripé mediúnico – espírito, médium, mensagem – pedem atenção no momento da análise. Outros elementos devem ser considerados, também, mas podem ser colocados em posição de espera até que o tripé seja compreendido*.

O médium está literalmente no centro do processo mediúnico. O contato é feito com ele ou ele faz o contato com o comunicante. A expressão atribuída a Chico Xavier de que “o telefone toca de lá para cá” não deve ser vista como imperativa. Não, segundo Kardec. O médium também pode teclar para o Espírito. Kardec entendeu desde cedo a noção de comunicação como diálogo cujo equilíbrio se traduz por poder igual das partes comunicantes. (mais…)